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O município de Camaquã registra um caso de violência contra a mulher a cada três dias. O dado faz parte de um levantamento do Centro de Especialidades Sheila Thofehrn, que atende vítimas de violência doméstica.
Em Camaquã, as mulheres vítimas de violência doméstica têm acesso a atendimento psicológico gratuito por meio de um projeto da Secretaria Municipal da Saúde.
O acompanhamento é realizado no Centro de Especialidades Sheila Thofehrn e atende casos encaminhados pelo CAPS ou pelo CREAS.
Em conversa com a reportagem do Sul 360, a psicóloga Alexandra Scherer explicou como funciona o projeto e a importância do acolhimento especializado para garantir proteção e apoio às mulheres.
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Assista o vídeo abaixo e entenda como funciona o acolhimento realizado no município:
A violência doméstica
A violência doméstica acontece, na maioria das vezes, dentro de casa e longe dos olhos da sociedade. Ela não começa, necessariamente, com agressões físicas.
Na prática, muitos casos iniciam com controle, ciúmes excessivos e isolamento da vítima. O agressor tenta limitar amizades, controlar o celular e afastar a mulher da família.
Com o tempo, a situação pode evoluir para agressões verbais, ameaças e violência psicológica. Em casos mais graves, há violência física e até risco de morte.
Esse tipo de violência atinge principalmente mulheres, mas também pode afetar crianças e outros membros da família que convivem no mesmo ambiente.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a maioria dos casos ocorre dentro de relacionamentos íntimos, com companheiros ou ex-companheiros sendo os principais agressores.
Além disso, muitas vítimas permanecem em silêncio por medo, dependência financeira ou emocional. Isso dificulta denúncias e contribui para a subnotificação dos casos.
O estudo Mapa Nacional da Violência de Gênero, encomendado pelo Senado Federal, aponta subnotificação de 61% no registro de violência contra mulher.
A violência doméstica não tem um perfil único. Ela atinge mulheres de todas as idades, classes sociais e níveis de escolaridade.
Por isso, identificar os sinais é essencial. Mudanças de comportamento, isolamento e medo constante podem indicar que algo está errado.
Falar sobre o tema é um passo importante para quebrar o ciclo de violência e incentivar denúncias.
Feminicídio em Camaquã
Camaquã registrou, na última semana, um feminicídio que escancarou as consequências mais extremas da violência doméstica.
Angélica Inês Strelow, de 28 anos, foi morta dentro de casa. O crime aconteceu mesmo com medida protetiva em vigor.
Ela foi assassinada de forma brutal pelo ex-companheiro. As duas filhas do casal presenciaram a cena.
O caso evidencia uma realidade preocupante. Mesmo com mecanismos legais, muitas mulheres seguem em risco dentro do próprio lar.
Medidas protetivas são fundamentais, mas nem sempre suficientes para impedir a escalada da violência. Especialmente quando o agressor ignora as determinações judiciais.
Situações como essa mostram como a violência doméstica pode evoluir rapidamente para desfechos fatais.
Além disso, reforçam a importância de ações integradas entre segurança pública, justiça e rede de apoio às vítimas.
O feminicídio não é um caso isolado. Ele representa o estágio final de um ciclo de violência que, muitas vezes, começou de forma silenciosa.
Como denunciar violência doméstica?
Denunciar violência doméstica pode salvar vidas. A denúncia é o principal caminho para interromper o ciclo de agressões.
A vítima pode buscar ajuda por diferentes canais. Veja os principais:
• Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher, com orientação gratuita e registro de denúncias em todo o país
• Ligue 190: em casos de emergência ou risco imediato, para acionamento da Brigada Militar
• Delegacia de Polícia: registro presencial da ocorrência em qualquer delegacia
• Delegacia da Mulher: atendimento especializado para vítimas de violência
• Aplicativos e canais digitais: alguns estados oferecem denúncia online e acompanhamento do caso
Qualquer pessoa pode denunciar. Familiares, vizinhos, amigos ou colegas de trabalho têm papel importante ao perceber sinais de violência.
O anonimato é garantido em diversos canais. Isso permite que terceiros denunciem sem medo de represálias.
Além disso, a denúncia possibilita que medidas protetivas sejam solicitadas e que a rede de apoio seja ativada.
Quanto antes a violência for comunicada às autoridades, maiores são as chances de evitar casos mais graves.
Ficar em silêncio pode colocar a vítima em risco. Por isso, denunciar é um ato de proteção, responsabilidade e, muitas vezes, de salvar uma vida.







