Cães da Polícia Penal levam afeto e inclusão a crianças e idosos por meio da cinoterapia
Compartilhe esta notícia:
Os cães da Polícia Penal do Rio Grande do Sul têm se destacado não apenas em ações operacionais, como a detecção de drogas, armas e munições e a busca por foragidos, mas também em iniciativas sociais por meio da cinoterapia. Em parceria com as Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) de Santa Maria e Canela, os canis da 2ª, 7ª e 8ª Regiões Penitenciárias desenvolvem ações de Terapia Facilitada por Cães (TFC) com crianças, adolescentes, adultos e idosos atendidos pelas instituições.
As intervenções ocorrem semanalmente e utilizam cães treinados para atuar como facilitadores no desenvolvimento motor, emocional e social dos participantes. As Apaes oferecem serviços gratuitos nas áreas de saúde, educação e assistência social, atendendo pessoas com deficiência intelectual, múltipla e transtorno do espectro autista (TEA).
A cinoterapia é uma abordagem terapêutica que utiliza cães treinados como facilitadores no desenvolvimento físico, emocional, cognitivo e social de pessoas em diferentes contextos, como escolas, hospitais e instituições de atendimento especializado.
De acordo com a psicóloga da Apae de Canela, Thais Reis, a presença dos animais contribui para a redução da ansiedade e de comportamentos estereotipados, além de melhorar a interação social e a comunicação. O contato com o cão também favorece a criação de vínculos afetivos e proporciona experiências emocionais positivas e duradouras.
Seleção e treinamento priorizam perfil adequado para terapia
Nos canis da Polícia Penal, os cães passam por avaliações comportamentais logo nos primeiros dias, período conhecido como “janela social”. Nessa fase, são expostos a diferentes estímulos e ambientes para identificar aptidões. Animais com perfil mais ativo e impulsos voltados ao faro são direcionados ao trabalho operacional. Já os que apresentam temperamento dócil e paciente, geralmente das raças Golden Retriever e Border Collie, seguem para a cinoterapia.
Três delegacias tem cães participando de atendimentos
Na 7ª Delegacia Penitenciária Regional (DPR), em Canela, o Golden Retriever Stark, que completa dois anos em abril, participa dos atendimentos na Apae do município, interagindo com cerca de seis crianças por dia, além de atuar em grupos de convivência com idosos e em atividades escolares.
Em Santa Maria, o Canil da 2ª DPR conta com a Golden Retriever Galega, de sete anos, e o Border Collie Duti, de sete meses, ainda em treinamento. Os encontros com os alunos da Apae ocorrem em grupos e são planejados em conjunto com a equipe multidisciplinar da instituição, com objetivos terapêuticos específicos. Quando as crianças passam a desenvolver as atividades com autonomia, ocorre a formatura do grupo e a abertura de novas turmas.
Já na 8ª DPR, o Border Collie Ragnar, de três anos e meio, atua em escolas e eventos, especialmente com crianças com TEA. Ele integra o projeto “Uma História Boa para Cachorro”, que já atendeu mais de 6 mil crianças, abordando de forma lúdica temas como valores familiares, combate ao racismo e ao bullying, prevenção ao uso de drogas e incentivo à educação.
As iniciativas reforçam o papel social da Polícia Penal, demonstrando que o trabalho dos cães vai além da segurança pública, contribuindo também para o acolhimento, o desenvolvimento e a inclusão de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Publicar comentário