Defesa Civil recomenda interdição de 25 imóveis na zona rural de Camaquã após identificação de risco de desmoronamento

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A Defesa Civil do Estado do Rio Grande do Sul recomendou a interdição total de 25 imóveis situados na Rua da Barca, na localidade da Pacheca, zona rural de Camaquã. A medida foi indicada após vistoria técnica realizada em 11 de fevereiro de 2026, cujo laudo foi recebido pela Prefeitura de Camaquã na última sexta-feira (6).

O levantamento ocorreu a partir de requisição do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul e contou com apoio da Defesa Civil Municipal. O documento técnico aponta alto risco de desmoronamento das construções erguidas às margens do Rio Camaquã, em razão da instabilidade do terreno e do avanço de processos erosivos.

Diante da recomendação, a Prefeitura organiza uma força-tarefa envolvendo as secretarias municipais de Desenvolvimento Social, Habitação e Desenvolvimento Sustentável e Segurança, com o objetivo de buscar alternativas para as famílias residentes e garantir a segurança da população.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Camaquã

Vistoria técnica confirma risco elevado

A inspeção foi conduzida por equipe do Departamento de Gestão de Desastres da Defesa Civil Estadual, formada por profissionais das áreas de geologia, engenharia civil e serviço social. Também participaram representantes da 1ª Coordenadoria Regional de Proteção e Defesa Civil, Defesa Civil Municipal e técnicos do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS).

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Durante a vistoria, os especialistas analisaram as edificações e o uso do solo na área, classificada como terraço fluvial do Rio Camaquã. O relatório aponta que as residências estão muito próximas ao barranco do rio, onde já há registros de erosão severa.

Segundo o laudo de engenharia, as 25 moradias encontram-se em área de elevado risco devido à instabilidade do terreno. Duas casas já apresentavam rachaduras estruturais e estavam a menos de dois metros da borda do barranco, sendo evacuadas imediatamente por medida preventiva.

Os técnicos identificaram três fatores principais que contribuem para o risco:

  • Avanço natural da erosão do barranco durante as cheias anuais do Rio Camaquã;
  • Supressão da vegetação ciliar, que deveria ocupar uma faixa mínima de 100 metros de Área de Preservação Permanente (APP);
  • Influência da agricultura orizícola nas proximidades, elevando o lençol freático e favorecendo processos erosivos internos no solo.
Foto: Divulgação/Prefeitura de Camaquã

Área está localizada em faixa de preservação permanente

O relatório aponta que a Rua da Barca está situada em Área de Preservação Permanente (APP), onde a ocupação humana é restrita justamente para reduzir riscos ambientais e proteger os cursos d’água.

Entre as medidas emergenciais recomendadas pelos técnicos estão:

  • Interdição das residências em situação crítica;
  • Remoção preventiva das famílias;
  • Suspensão do cultivo de arroz na faixa de preservação;
  • Verificação da regularidade da outorga de uso da água;
  • Recomposição da vegetação ciliar;
  • Realização de estudos geotécnicos complementares.

De acordo com o documento, a desocupação da área é considerada a solução mais segura para evitar acidentes futuros.

Situação social das famílias será acompanhada

O levantamento social identificou 25 imóveis na localidade, sendo que apenas sete são ocupados por famílias residentes permanentes. A partir desse diagnóstico, o município deverá avaliar alternativas de atendimento por meio da rede de assistência social e programas habitacionais estaduais e federais.

A Prefeitura informou que a atuação será integrada entre diferentes secretarias, envolvendo levantamento social, análise de possibilidades habitacionais e acompanhamento das medidas de segurança.

A Defesa Civil orienta que moradores de áreas próximas ao barranco permaneçam atentos a sinais de instabilidade, como rachaduras no solo, inclinação de árvores e novos desmoronamentos, e acionem imediatamente os órgãos competentes em caso de risco.

O relatório técnico foi elaborado pelo Departamento de Gestão de Desastres da Defesa Civil Estadual e encaminhado às autoridades responsáveis para adoção das providências necessárias.

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