Localizado entre os municípios de Camaquã e São Lourenço do Sul, o Parque Estadual do Camaquã é uma Unidade de Conservação administrada pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (Sema).
Criado há 50 anos, o parque ocupa cerca de 10 mil hectares e preserva uma formação geomorfológica rara: o delta intralagunar do Rio Camaquã, que se forma no contato do rio com a Laguna dos Patos.
Essa estrutura sedimentar cria ambientes essenciais para a vida, como florestas ripárias, campos, vegetação de restinga, banhados e canais naturais, funcionando como berçários para espécies aquáticas e refúgio para aves, mamíferos, répteis e muitos outros animais.
Além de sua relevância ecológica, o parque presta serviços ambientais fundamentais.
Ao proteger áreas úmidas e vegetação ripária, contribui para a regulação hídrica, reduzindo impactos de cheias e garantindo fertilidade para lavouras vizinhas, especialmente as de arroz, principal atividade econômica da região.
Ao atuar como barreira contra eventos climáticos extremos, assegura qualidade de vida para comunidades locais.
Ações no parque
Atualmente, a Unidade passa por processos de regularização fundiária e implementação de ações estratégicas, como:
- Criação do Conselho Consultivo;
- Expedições científicas para atualização do conhecimento sobre suabiodiversidade;
- Expedições de campo para subsidiar a elaboração futura do plano de manejo, garantindo que seus objetivos de preservação sejam alcançados e detalhando o funcionamento para futura abertura ao público.
“Temos avançado em temas estratégicos para consolidar o Parque Estadual do Camaquã, que é missão institucional da Sema. As ações estratégicas mapeadas asseguram que essa insubstituível Unidade de Conservação cumpra seu papel de proteger o patrimônio natural e cultural do Bioma Pampa”, destaca Leonardo Urruth, gestor da Unidade.
A fiscalização na região é constante, com guardas-parque e o Pelotão Ambiental da Brigada Militar atuando para coibir ilícitos, como caça e pesca predatória.
Relevância histórica e cultural
A região do Delta do Camaquã é um marco para a ciência brasileira.
No início do século XX, o destacado naturalista germano-brasileiro Hermann von Ihering viveu por sete anos em uma ilha do delta do rio Camaquã.
Por lá, ele realizou pesquisas pioneiras sobre fauna e flora, enviando espécimes para instituições europeias e para o Museu Paulista, do qual foi fundador.
A sua contribuição científica inspirou a criação da revista Iheringia, lançada em 1957 pelo então Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais.
Hoje, a publicação é referência nacional e internacional, com impacto especialmente na botânica e zoologia neotropicais.
O valor cultural da região também é expressivo: parte de sua área sobrepõe-se à Terra Indígena da Pacheca, habitada pela comunidade M’bya Guarani, reforçando a importância da gestão integrada entre áreas protegidas.
A área também foi palco de episódios históricos da Revolução Farroupilha, como a construção dos lanchões usados por Giuseppe Garibaldi na tomada de Laguna/SC.
O Parque Estadual do Camaquã é muito mais que uma área protegida: é um patrimônio natural, científico e cultural que conecta passado, presente e futuro. Sua preservação garante não apenas a integridade ecológica do Bioma Pampa, mas também benefícios sociais e ambientais para as próximas gerações.
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