Rastreabilidade bovina é destaque na Abertura da Colheita do Arroz e Grãos em Capão do Leão

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A implementação da rastreabilidade bovina no Rio Grande do Sul e seus impactos para a defesa sanitária e a competitividade da pecuária foram debatidos nesta quarta-feira (25), durante a 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, realizada em Capão do Leão.

O painel ocorreu na Arena de Inovação e foi coordenado pelo governo do Estado, por meio da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), responsável pela condução do projeto-piloto.

Com o tema “Rastreabilidade bovina: projeto-piloto do RS”, o encontro reuniu o secretário-adjunto da Agricultura, Márcio Madalena; o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Cardoso; o pecuarista e presidente do Conselho Técnico Operacional para Pecuária de Corte do Fundesa, Pedro Piffero; e a fiscal estadual agropecuária da Seapi, Rosane Collares.

Implantação começa pelo diálogo com o produtor

Segundo Márcio Madalena, o processo de implantação no Estado iniciou “da porteira para dentro”, com diálogo direto com os produtores para compreender a realidade das propriedades rurais. A estratégia está estruturada em três etapas: o aprimoramento do sistema de defesa animal; a testagem prática nas propriedades participantes do projeto-piloto; e, por fim, a consolidação e implementação do programa definitivo.

O projeto-piloto, lançado em 2025, conta atualmente com 50 propriedades voluntárias, onde são testados brincos de identificação individual dos animais e a integração das informações ao Sistema de Defesa Agropecuária (SDA), plataforma que será utilizada para o registro oficial.

Antecipação ao prazo nacional

A iniciativa está alinhada ao Programa Nacional de Identificação e Rastreabilidade de Bovinos e Bubalinos (PNIB), coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que prevê a obrigatoriedade da rastreabilidade individual a partir de 2033, dentro de um cronograma de adaptação de sete anos.

No entanto, a intenção do governo gaúcho é antecipar essa implementação. Para Madalena, a medida pode posicionar o Estado de forma mais competitiva nos mercados nacional e internacional. “Ao nos anteciparmos, fortalecemos a cadeia produtiva da pecuária e ampliamos as oportunidades de acesso a mercados”, destacou.

Ele acrescentou que a rastreabilidade tende a agregar valor à carne produzida no Estado, possibilitando melhor remuneração ao produtor.

Exigência do mercado e garantia de segurança

A fiscal estadual agropecuária Rosane Collares lembrou que a rastreabilidade não é um tema novo para o setor e que a exigência parte, principalmente, do mercado internacional. Ela citou como exemplo o sistema adotado na pecuária leiteira desde 2017, que apresentou resultados positivos e serviu de base para o modelo atual voltado à bovinocultura de corte.

A rastreabilidade individual permite acompanhar todo o ciclo de vida do animal do nascimento ao abate por meio de um número único de identificação, registrado em brinco ou dispositivo eletrônico. O sistema reúne informações como raça, idade, vacinação e movimentações, integradas a uma base de dados oficial.

Entre os principais objetivos estão o fortalecimento do controle sanitário, a ampliação da transparência na cadeia produtiva e o aumento da competitividade da pecuária gaúcha, especialmente em mercados cada vez mais exigentes quanto à origem e conformidade dos produtos.

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