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Denúncia expõe grupo de mensagens que classificava alunas e professoras com teor sexual no IFSul Camaquã

IFSul Campus Camaquã

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Uma denúncia publicada por uma aluna do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) – Campus Camaquã, na noite de terça-feira (28), repercutiu nas redes sociais ao expor a existência de um grupo mensagens formado por estudantes do terceiro ano da instituição no qual teriam sido compartilhados conteúdos de caráter misógino e sexual envolvendo alunas e professoras.

Os integrantes do grupo, em maioria menores de idade, teriam elaborado uma lista em que estudantes e docentes eram classificadas em um ranking por meio de comentários de cunho sexual, com fotografias das vítimas também sendo tiradas e compartilhadas sem autorização.

Além da lista, imagens das conversas que circulam nas redes sociais mostram referências à suposta criação de um arquivo em PDF contendo fotografias de alunas em trajes de banho acompanhadas das classificações feitas no grupo. Outro trecho menciona um chamado “plano da van negra”. Até o momento, o conteúdo disponível não permite compreender o contexto da expressão, nem confirmar a que ela se refere.

Na publicação, a estudante afirma que as vítimas buscarão a responsabilização dos envolvidos e classifica o episódio como uma forma de violência contra as mulheres.

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“Não vamos nos calar. Durante três anos dividimos a mesma sala de aula acreditando estar ao lado de colegas. Descobrimos que, enquanto convivíamos diariamente, algumas meninas estavam sendo desrespeitadas, objetificadas e sexualizadas por esses colegas por meio de mensagens de WhatsApp. Isso não é brincadeira. Isso não é ‘coisa de adolescente’. Isso é uma forma de violência e não deve ser normalizada”, diz um trecho da manifestação

Caso semelhante foi registrado no Campus Pelotas

A denúncia ocorre poucos meses após um caso semelhante registrado no IFSul Campus Pelotas, que ganhou repercussão estadual. Em março deste ano, estudantes denunciaram a criação e divulgação de uma lista com comentários ofensivos e de cunho sexual direcionados a cerca de 30 colegas da instituição.

O episódio levou o Ministério Público do Rio Grande do Sul a instaurar um expediente administrativo para acompanhar o caso. A Promotoria reuniu-se com a direção do campus, ouviu familiares das vítimas e dos adolescentes envolvidos e articulou medidas de prevenção voltadas ao ambiente escolar.

As investigações da Polícia Civil resultaram no indiciamento de oito estudantes por ato infracional análogo ao crime de cyberbullying. Conforme o inquérito, os adolescentes criaram um ranking com imagens obtidas sem autorização e comentários depreciativos sobre colegas. Como todos eram menores de idade, o procedimento foi encaminhado ao Poder Judiciário, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Núcleo de Gênero e Diversidade Sexual se manifesta

Em nota de repúdio, o Núcleo de Gênero e Diversidade Sexual do IFSul Câmpus Camaquã afirmou que “a misoginia é incompatível com os valores que orientam nossa comunidade” e manifestou solidariedade às estudantes e servidoras atingidas. O núcleo também reafirmou o compromisso da instituição com “a construção de um ambiente seguro, pautado no respeito, na dignidade e na igualdade”, colocando-se à disposição para acolher as vítimas e desenvolver ações de prevenção e promoção dos direitos humanos. Confira a nota completa:

NOTA DE REPÚDIO

A misoginia é incompatível com os valores que orientam nossa comunidade.
O Núcleo de Gênero e Diversidade Sexual do IFSul Câmpus Camaquã manifesta sua solidariedade às estudantes e servidoras atingidas por recentes episódios de misoginia em um grupo de troca de mensagens.
Reafirmamos nosso compromisso com a construção de um ambiente seguro, pautado no respeito, na dignidade e na igualdade. Como espaço de educação, cabe à instituição promover uma cultura de cuidado, enfrentar todas as formas de discriminação e fortalecer o respeito aos direitos das mulheres e de todo o elenco que compõe o universo da diversidade sexual.
O Núcleo permanece à disposição para acolher as vítimas e desenvolver ações de prevenção, formação e promoção dos direitos humanos.
Educar para o respeito é um compromisso coletivo e um passo indispensável para eliminar as discriminações de gênero!

Nota oficial do IFSul

Em nota oficial, o Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) afirmou que repudia “toda e qualquer forma de assédio, violência, exposição vexatória e desrespeito à dignidade das pessoas” e informou que tomou conhecimento da circulação de mensagens atribuídas a um grupo de estudantes do Campus Camaquã.

A instituição manifestou solidariedade às estudantes que relataram terem sido objetificadas, constrangidas e desrespeitadas, destacando que situações dessa natureza são incompatíveis com os princípios de respeito, equidade e promoção dos direitos humanos.

Segundo o diretor-geral do campus, Vagner Euzebio Bastos, os estudantes apontados como suspeitos de envolvimento foram afastados preventivamente das atividades presenciais até que os fatos sejam esclarecidos. O caso também será encaminhado aos órgãos competentes para as providências cabíveis.

O IFSul informou ainda que as estudantes receberão acolhimento e acompanhamento institucional, incluindo o atendimento do Núcleo de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio e à Violência (Nupav Central).

Na nota, a instituição reafirma que mantém ações permanentes de prevenção e enfrentamento ao assédio e à violência e reforça o compromisso com “a promoção de uma cultura de respeito, diálogo e responsabilidade”, ressaltando que situações dessa natureza serão tratadas com seriedade e com a adoção das medidas institucionais e legais cabíveis.

Esta reportagem está em atualização e poderá receber novas informações ao longo das próximas horas, conforme o avanço da apuração e a divulgação de informações oficiais pelas autoridades e partes envolvidas.

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