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A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) e suas 55 federações nacionais anunciaram, nesta quinta-feira (30), que não participarão de competições organizadas pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) enquanto permanecer a proposta da entidade de vender participações acionárias de torneios, como a Copa do Mundo, a investidores privados.
A decisão foi tomada por unanimidade e representa uma reação ao plano apresentado pela Fifa para criar uma subsidiária avaliada em US$ 20 bilhões, responsável pela gestão comercial da Copa do Mundo e de outras competições da entidade.
Uefa rejeita proposta da Fifa
Em comunicado oficial, a Uefa afirmou que a Copa do Mundo e os demais torneios da Fifa não podem ser tratados como ativos comerciais destinados a investidores privados.
Segundo a entidade europeia, a participação das seleções filiadas à Uefa em competições da Fifa permanecerá suspensa enquanto a proposta não for retirada ou até que haja garantias formais de que iniciativas semelhantes não voltarão a ser apresentadas.
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A Uefa argumenta que a entrada de investidores externos alteraria a forma de administração das competições, tornando o retorno financeiro um fator permanente nas decisões relacionadas ao futebol internacional.
Outras confederações também manifestam preocupação
A Confederação Asiática de Futebol (AFC) também criticou a proposta e afirmou que não foi consultada pela Fifa antes do anúncio. O presidente da entidade, xeique Salman bin Ebrahim Al-Khalifa, classificou como “totalmente inaceitável” a ausência de debates sobre aspectos financeiros, jurídicos e de governança.
Em carta enviada às federações asiáticas, o dirigente afirmou que uma mudança dessa dimensão depende do apoio das seis confederações continentais.
A Concacaf, que reúne países da América do Norte, América Central e Caribe, também questionou a falta de diálogo por parte da Fifa. Já a Confederação Africana de Futebol (CAF) informou que discutirá o tema na próxima semana, enquanto a Confederação de Futebol da Oceania (OFC) pretende analisar a proposta no próximo mês.
Até o momento, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) não se manifestou oficialmente.
Entenda a proposta
O projeto liderado pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, prevê a criação de uma empresa para administrar comercialmente as principais competições da entidade, com a venda de participações minoritárias a investidores privados.
Como incentivo para aprovação da proposta, a Fifa ofereceu às suas 211 associações-membro um repasse de US$ 40 milhões para cada federação caso o projeto seja aprovado até 19 de setembro. Se a proposta for rejeitada, o valor retornaria ao modelo anterior, de aproximadamente US$ 10 milhões por associação.
Infantino informou que a proposta será submetida à votação das associações filiadas e, posteriormente, ao Conselho Executivo da Fifa.
Sindicato de jogadores também critica iniciativa
A proposta também recebeu críticas da Fifpro, sindicato internacional dos jogadores, que avalia que a participação de investidores privados pode alterar de forma permanente os incentivos econômicos das competições organizadas pela Fifa e impactar o desenvolvimento das carreiras dos atletas.
Por outro lado, o consultor comercial da Fifa no projeto, Greg Maffei, afirmou que a iniciativa não representa a venda da Copa do Mundo e destacou que a entidade manteria o controle majoritário das competições. Segundo ele, modelos semelhantes já foram adotados em outras modalidades esportivas.







