Fabiano Ribeiro fala sobre desafios no Desenvolvimento Social e bastidores da Prefeitura

Fabiano Ribeiro fala sobre desafios no Desenvolvimento Social e bastidores da Prefeitura

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Fabiano Ribeiro conhece a Prefeitura de Camaquã por dentro. Foram oito anos como procurador do Município, um ano à frente da Secretaria da Saúde e, agora, o desafio de comandar a Secretaria do Desenvolvimento Social.

Na entrevista ao Giro 360, do Sul360, ele falou sem rodeios sobre gestão, política, vulnerabilidade social e os momentos mais difíceis da trajetória no poder público.

Antes dos cargos e das decisões estratégicas, porém, existe uma história construída longe dos gabinetes. Fabiano é filho do ex-prefeito de Arambaré, Alaor Pastoriza Ribeiro, e da conhecida “Tia Ione”, da padaria que marcou gerações em Arambaré.

Trabalhou no campo, plantou fumo por quatro anos, empreendeu com a família e construiu carreira na advocacia durante 24 anos.

“Eu comecei do nada”, resumiu, ao lembrar que não havia tradição jurídica na família. A entrada no serviço público, segundo ele, veio com um viés técnico. A ideia inicial era contribuir por um período e retornar à iniciativa privada. Dez anos depois, ele segue no governo municipal.


Procurador-Geral

Ao falar da Procuradoria, Fabiano deixa claro que o cargo é estratégico, embora pouco visível. Depois do prefeito, afirma, é o procurador quem mais conhece a estrutura do Município.

Passam pela Procuradoria os apontamentos do Ministério Público, do Tribunal de Contas, os conflitos administrativos e as dúvidas jurídicas das secretarias. É um trabalho técnico, de responsabilidade alta e pressão constante.

“Quando o prefeito e o secretário não querem errar, entregam para o procurador a responsabilidade de dizer qual é o caminho certo”, explicou.

A pandemia, segundo ele, foi o período mais desafiador da carreira. De um lado, a necessidade urgente de decisões rápidas. De outro, o risco jurídico de cada ato administrativo.

Ele relembra com emoção as reuniões com o setor de eventos, quando precisou dizer que não havia previsão de retomada. “Foi uma das noites mais pesadas da minha vida”, contou.


A experiência na Saúde

A mudança para a Secretaria da Saúde representou um novo tipo de exposição. Se antes o trabalho era técnico e interno, na Saúde a cobrança vinha diretamente da população.

“Ali tu bota a cara a tapa”, afirmou.

Fabiano diz que a experiência o transformou. O contato diário com pessoas em situação de fragilidade exige equilíbrio emocional e capacidade de organização mental.

Entre as prioridades da gestão, ele cita a redução das filas de madrugada nas unidades de saúde, algo que o incomodava pessoalmente.

O reconhecimento da comunidade, segundo ele, foi uma das maiores recompensas do período.


O choque ao chegar no Desenvolvimento Social

Se a Saúde lida com atendimento imediato, o Desenvolvimento Social trabalha com consequências de longo prazo. E foi ali que Fabiano diz ter enfrentado um novo impacto.

O dado que mais o chamou atenção foi o ranking estadual que coloca Camaquã entre os municípios com maior índice proporcional de vulnerabilidade social. “Isso me impactou muito”, afirmou.

Segundo ele, muitas vezes a comunidade enxerga apenas casos isolados, mas os números mostram um cenário estrutural que exige políticas permanentes.

Fabiano reconhece que sempre teve um perfil mais conservador e pouco afeito ao assistencialismo. No entanto, afirma que a experiência na pasta ampliou sua visão.

“O principal direito dessas famílias não é o benefício. É sair da situação de precisar do benefício”, disse.


Menos assistencialismo, mais autonomia

A proposta da Secretaria, segundo ele, é reorganizar a aplicação dos recursos, que já são limitados. Ao invés de ofertar cursos apenas por demanda espontânea, a ideia é alinhar qualificação com o que o mercado realmente precisa.

Ele citou como exemplo vagas de emprego que deixaram de ser preenchidas por falta de capacitação específica. Cursos de operador de empilhadeira, soldador e eletricista foram mencionados como áreas de demanda concreta.

“Quando uma família sai da vulnerabilidade, conseguimos atender outra”, explicou.

O desafio maior, no entanto, é orçamentário. Diferente da Saúde e da Educação, o Desenvolvimento Social não possui percentual constitucional mínimo garantido.

Fabiano também foi direto ao falar da dificuldade política de atrair recursos. “A assistência social não dá voto”, afirmou, reconhecendo que muitas vezes a verba segue lógica política, e não técnica.


Política, rompimentos e permanência no governo

Durante a entrevista, Fabiano também abordou o rompimento entre o atual prefeito Abner Dillmann e o ex-prefeito Ivo de Lima Ferreira, período em que presidia o PSDB em Camaquã.

Segundo ele, tentou manter a unidade do partido, como era seu dever institucional. Quando percebeu que não seria possível evitar o rompimento, optou por respeitar o processo político.

“Eu estava ali para tentar manter o grupo. Quando vi que não dava, segui o caminho institucional”, explicou.

Fabiano destacou que permanece no governo por confiança e resultados. “Se não tivesse entregue resultado, não estaria aqui”, afirmou.


O que move a gestão

Ao ser questionado sobre o sonho à frente da Secretaria, Fabiano respondeu sem promessas grandiosas. Disse que quer sair do cargo com números concretos que mostrem redução da vulnerabilidade no município.

“Não é só carinho e humanização. Precisa virar número”, declarou.

A meta é medir resultados, reorganizar políticas e fortalecer parcerias com a iniciativa privada para ampliar oportunidades de emprego.

Mais do que um projeto pessoal, ele afirma que busca deixar uma marca de eficiência e responsabilidade.

“Se eu não conseguir servir, para que eu sirvo?”, resumiu.

A entrevista completa com Fabiano Ribeiro está disponível no YouTube do portal Sul360, no programa Giro 360. Assista:


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Autor

  • Elias Bielaski

    Jornalista, web designer, consultor de SEO, analista de marketing.

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