Marty Supreme, de traficante a campeão de tênis de mesa | Crítica

Marty Supreme, de traficante a campeão de tênis de mesa | Crítica

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Marty Supreme se passa nos Estados Unidos da década de 50, período marcado pela ascensão social dos judeus na América.

A obra retrata uma luta interna entre autopromoção, brilhantismo, prepotência, arrogância e autossabotagem.

Naquele momento. em que muitos alcançaram a estabilidade na classe média após décadas de dificuldades e o impacto do pós-guerra (1945).

Esse contexto é fundamental para compreender o psiquismo e as atitudes dos personagens.

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A obra narra a trajetória de Marty Mauser, interpretado por Timothée Chalamet em sua melhor atuação até aqui.

Marty é o melhor jogador de tênis de mesa americano da época ou, pelo menos, faz questão de sustentar essa imagem, exibindo uma arrogância debochada e uma confiança fora do comum.

Curiosamente, esse comportamento foi personificado pelo próprio Chalamet durante a promoção do filme, o que gerou burburinhos sobre possíveis reflexos nas premiações.


Marty Supreme

O filme inicia com Marty trabalhando como vendedor de sapatos na loja do tio para financiar seu sonho: disputar o torneio mundial.

Já nessas cenas iniciais, percebemos seu talento natural para a persuasão e como ele manipula situações a seu favor.

Logo conhecemos seu par romântico, vivido por Odessa A’zion, que entrega uma performance incrível. Aliás, um dos pontos altos do longa é o elenco: não há atuações fracas.

A relação de Marty com a namorada é assumidamente tóxica. Ele exerce um controle total sobre ela, que se submete a qualquer coisa por ele, revelando o lado egoísta e manipulador do protagonista.

A personagem, que engravida no início da trama, não é apenas uma vítima passiva; sua dependência emocional a leva a aceitar o abandono e as mentiras, cruzando limites éticos em busca de uma validação que nunca chega.

Todavia, a dependência não é exclusividade dela. Ao vermos a mãe de Marty implorando por uma visita, fica claro que a família compartilha desse egoísmo e de um histórico de abusos emocionais.

Através de chantagens, eles tentam impedir que o jovem siga a carreira de atleta e viaje para Londres.

Após muitas desavenças, ele consegue o dinheiro de uma forma que só Marty faria.

Sem entregar spoilers, suas atitudes deixam claro que ele está disposto a ultrapassar qualquer limite para atingir seus objetivos, embora a natureza exata desse “sonho” nem sempre pareça clara.

No torneio, a prepotência de Marty escala. Como se considera o melhor, ele exige tratamento de estrela, entrando em conflito até pela qualidade do alojamento.


A ascensão

O filme detalha sua ascensão nas fases da competição, com interações divertidas e tensas, até o surgimento de seu “algoz”: o atleta japonês Endo.

O adversário é cercado de mistério, tanto por ter burlado restrições de viagem do pós-guerra quanto por usar uma raquete tecnológica inédita, o que instiga o medo nos competidores.

A derrota de Marty na final para Endo o coloca no fundo do poço, moral e financeiramente.

Humilhado e em conflito com a federação americana devido aos seus gastos astronômicos, ele passa a ver na competição seguinte, no Japão, a única chance de vingança.

O restante da obra acompanha essa descida ao caos.

Mostra a jornada de Marty Reisman, um traficante que se tornou campeão de tênis de mesa
Mostra a jornada de Marty Reisman, um traficante que se tornou campeão de tênis de mesa

Enquanto tenta chegar ao Mundial, Marty lida com a negação da gravidez da namorada, planos duvidosos para levantar dinheiro, agressões e até o roubo de um animal de estimação.

O filme mantém uma sensação constante de que nada vai dar certo, provocando no espectador a dúvida: “Como ele ainda está conseguindo seguir em frente?”.

A obra enfatiza que não existem “personagens bonzinhos”. Todos são movidos por motivações egoístas: do tio que o ameaça ao fazendeiro oportunista.

As raras exceções de humanidade parecem gravitar em torno do personagem de Tyler, The Creator, do garoto que ajuda a desenvolver as icônicas bolinhas laranjas e do amigo de Marty, Béla Kletzki, que protagoniza uma das cenas mais impactantes do longa.

Por fim, o filme culmina em um momento magistral: o choro diante do bebê. Ali, a manipulação perde o poder.

Marty Reisman chora ao ver seu filho.

O bebê é uma realidade concreta que exige presença. Representa, talvez, o início de uma nova fase, ou o primeiro passo em direção a uma redenção genuína.

Autor

  • José Ari Júnior, colunista do portal Sul360

    Cinéfilo, técnico em automação industrial pelo IFSul Camaquã e graduando em engenharia elétrica.

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