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Obsessão: sucesso absoluto sob o ponto de vista do “vilão”

Obsessão: sucesso absoluto sob o ponto de vista do "vilão"

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Sei que demorei muito para escrever sobre Obsessão. Não sou o maior fã do gênero de terror, mas não posso negar que estamos vivendo um período ótimo para os amantes do estilo.

Tivemos e temos Pecadores, Obsessão, Hereditário, Corra!, Backrooms: Um Não-Lugar, From, Windows Bay, Fale Comigo, A Hora do Mal, Bem-Vindos a Derry (inclusive, quero escrever sobre essa), além de muitas outras obras. Todavia, Obsessão é aquele típico filme que acaba nos surpreendendo de uma maneira quase inexplicável.

Eu sou fã de A Morte do Demônio (1981) e, posteriormente, da série Ash vs Evil Dead. Gosto de gore e não sou fã de tomar muitos sustos, mas consigo apreciar quando o terror psicológico é bem-feito, e Obsessão entrega isso perfeitamente. Temos aqui um filme de baixo orçamento que dificilmente sairia por uma grande produtora.

Por mais que a ideia seja boa e, pensando bem, tenha até a cara da A24 (embora sem a verba da A24), é uma produção independente. Ainda assim, entrega um dos grandes filmes de terror dos últimos anos: realmente assusta, deixa agoniado e consegue evitar a armadilha de ficar cômico.

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Primeiramente, vamos a alguns detalhes importantes que precisam ser levados em consideração. Sobre o orçamento do filme, não existe um número exato, mas fala-se em algo entre 750 mil e 1 milhão de dólares.

Ao arrecadar mais de 400 milhões de dólares mundialmente, tornou-se a maior bilheteria em relação ao custo-benefício para um filme de baixo orçamento, ultrapassando Operação Dragão (1973), o clássico de Bruce Lee que custou 850 mil dólares.

Para completar, o filme foi dirigido, escrito e editado por um único criador e YouTuber, Curry Barker, que se inspirou em um episódio de Os Simpsons para escrever o roteiro.

Uma produção gigantesca

Dito tudo isso, temos uma produção gigantesca em termos de roteiro, detalhes e atuações.

Vale destacar a atriz Inde Navarrette no papel de Nikki. Ela entrega uma atuação absurda em uma personagem que tinha tudo para soar cômica, mas consegue ser assustadora, esquisita (exatamente como o papel exigia) e grotesca na medida certa.

Além disso, Obsessão nos traz uma perspectiva nova: o ponto de vista do “vilão” (ao menos foi assim que enxerguei). Estamos acostumados a ver o gênero sob a ótica do mocinho, seja ele fugindo, se escondendo ou tentando se salvar. Aqui não.

Nosso protagonista, Bear, é apresentado como um cara normal que trabalha com os amigos e é apaixonado por Nikki há muito tempo. Ele não aparenta ter nada de errado, traumas nem nada disso… É apenas um personagem extremamente egoísta e desprezível!

Covarde demais para se declarar, Bear acaba fazendo uso, “sem querer” (mas torcendo para dar certo), de um artefato para fazer a garota se apaixonar por ele. É aí que está o grande trunfo do filme: a garota se apaixona, mas não da maneira que ele esperava. Ela fica “esquisita”, e o que passa a incomodá-lo, não é a perda da essência dela, é a forma como ela se comporta.

Irei evitar mais spoilers para não estragar a experiência de quem ainda não assistiu, mas atentemos aos detalhes técnicos: o uso da luz, as filmagens contínuas, os ângulos de câmera e as expressões no rosto dela, aliás o fato do rosto dela não ficar “visível” na maioria do tempo, além é claro da forma como a trilha é utilizada.

Todavia existem algumas coisas que incomodam um pouco, como a mixagem de som meio instável em certos momentos, e alguns detalhes em cena, mas tudo é compreensível pelo orçamento enxuto.

Obsessão é, até o momento, o grande filme de terror do ano e a grande surpresa, de um modo geral, um filme espetacular tanto para quem gosta quanto para quem não gosta de filmes de terror. Só se prepare para os sustos!

Confira o trailer oficial de Obsessão:

Autor

  • José Ari Júnior, colunista do portal Sul360

    Cinéfilo, técnico em automação industrial pelo IFSul Camaquã e graduando em engenharia elétrica.

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