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São poucas as obras que conseguem te passar a sensação de estar assistindo a um episódio de The Office, mas “O Convite” conseguiu me trazer exatamente isso, mais especificamente o episódio do jantar, que tem a cena clássica do Michael Scott olhando para a sua televisão quebrada.
É genial de todas as formas, porém, aqui estamos falando de algo mais maduro, com personagens e situações mais reais.
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Não lembro de ver essa faceta no Edward Norton (talvez em Glass Onion); já sobre os outros três, eu meio que sentia que daria match: Penélope Cruz, Seth Rogen e a incrível Olivia Wilde, que inclusive é a diretora da obra. Todos os quatro estão fantásticos.
Não se assuste se a Penélope Cruz for uma das fortes candidatas ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.
Um detalhe importante aqui: talvez não seja um filme para todo mundo.
Não me entendam errado, mas não acredito que seja uma obra apropriada para casais que não estejam vivendo o seu melhor momento assistirem juntos. É um filme que toca em assuntos bem delicados como felicidade, acomodação, insegurança, sexualidade, frieza emocional e falta de companheirismo. Pode ser sentido de diversas formas, mas existe um ponto alto no final: o “recomeço”.
No filme, conhecemos o casal Angela (Olivia Wilde) e Joe (Seth Rogen), que vivem a rotina de um relacionamento combativo, brigando devido às frustrações da vida.
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Angela, pelo que fica subentendido, é formada em Artes, mas tem isso apenas como hobby, e não como carreira. Já o seu parceiro, Joe, é professor de música em um conservatório, mas carrega o pesar de que sua banda não deu certo e sua carreira musical não aconteceu, tanto que ele nem toca mais no seu antigo piano (que tanto amava) e sequer ouve ou fala sobre seu antigo grupo ou suas composições.
Cansada da rotina e de não ter amigos, Angela faz um convite para os vizinhos: um jantar. O motivo do convite é claro, e gera mais uma entre várias discussões com Joe: a vida sexualmente ativa dos vizinhos, algo muito perceptível (e audível) para eles, o que rende bastante debate entre o casal.
E aí temos o jantar, onde somos apresentados aos vizinhos: Pina (Penélope Cruz) e Hawk (Edward Norton). Eles são um casal recente, ele é massoterapeuta e ex-bombeiro; ela, sexóloga e psicoterapeuta, de bem com a vida, tranquilos, sexualmente ativos e bastante liberais. Um contraste gigante com os protagonistas.
Um só lugar
O filme é ambientado em apenas uma locação: o apartamento de Angela e Joe, que foi recentemente reformado. É um espaço amplo e aberto, usado de maneira genial, pois a noção de espaço é sentida de maneira surpreendente.
Os diálogos são impressionantes e a questão do idioma é trabalhada com maestria, pois a Pina é espanhola.
A direção da Olivia Wilde é absurda. É o terceiro filme dela que assisti e confesso que nenhum outro se compara a este.
O jogo de câmeras, a iluminação e as cores se encaixam de maneira espetacular, além da trilha sonora, que é quase um personagem à parte.
No fim das contas, é aquele tipo de filme que te pega de surpresa: você começa achando que é só mais uma comédia dramática sobre casamento, mas termina pensativo, O Convite é um filme incômodo, inteligente e extremamente bem executado.
Ele conversa com quem gosta de cinema, atento aos detalhes, à fotografia e à construção dos personagens.
Minha única dica final é: escolha bem com quem você vai assistir, prepare-se para o desconforto e aproveite a aula de atuação e reflexão que o quarteto entrega.








