Compartilhe este conteúdo
No primeiro semestre de 2026, os cidadãos camaquenses receberam cerca de R$27 milhões de benefícios federais “não permanentes”. Conforme apurado pela reportagem do Sul360 junto à Controladoria Geral da União, o valor foi repassado e injetado, na sua maior parte, no setor terciário da economia.
Os dados são públicos e estão disponíveis no Portal da Transparência do Governo Federal.
Em consulta realizada pela reportagem do dia 1º de julho, foram apurados os números já finalizados entre os dias 1º de janeiro e 30 de junho de 2026.
Os benefícios federais transferidos diretamente para os cidadãos são divididos entre o novo Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
📲 Participe do nosso grupo no WhatsApp
Abaixo, o Sul360 detalha os valores recebidos e quem são os seus beneficiários.
Bolsa Família
Recebem o Bolsa Família as famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único com renda mensal de até R$ 218 por pessoa. Além disso, é obrigatório cumprir regras de saúde (como vacinação e pré-natal) e educação (frequência escolar).
Em relação ao conhecido Bolsa Família, Camaquã teve 3.843 beneficiários, com valor total recebido de R$12.203.891,00.
Por mês, isso representa uma injeção de R$2.033.981 na economia do município.
Levando em consideração o valor total, cada família recebe em média R$529.26 mensais.
Se alguém da família conseguir um emprego e a renda aumentar, o benefício cai pela metade (50%) e é pago por um período limite de 12 meses.
Benefício de Prestação Continuada
O BPC (Benefício de Prestação Continuada) é um benefício e um salário mínimo mensal, pago pelo INSS, que garante renda a idosos com 65 anos ou mais e a pessoas com deficiência de qualquer idade.
Em Camaquã, durante o primeiro semestre, foram registrados 1.846 beneficiários do BPC, que receberam o total de R$15.132.299,72.
Por mês, são R$2.522.049,95 injetados na economia do município.
Considerando o valor total, cada família recebeu em média R$1.366 por mês.
É importante lembrar que o BPC não é Aposentadoria: por ser um benefício assistencial, não é necessário ter contribuído para o INSS. Por isso, ele não paga 13º salário e não deixa pensão por morte aos dependentes.
A renda familiar per capita (por pessoa da casa) deve ser de, no máximo, 1/4 do salário mínimo. Ou seja: seu público-alvo são famílias de baixíssima renda.
Estudo aponta impacto positivo
Um estudo divulgado pelo National Bureau of Economic Research (NBER) aponta que a ampliação do Bolsa Famíliacontribuiu para elevar os níveis de emprego, reduzir internações hospitalares e diminuir a mortalidade entre famílias em situação de extrema pobreza.
Os resultados indicam melhora consistente em diferentes indicadores sociais e econômicos.
Entre os beneficiários, o emprego aumentou 4,8%. A mortalidade caiu 14%, o equivalente a aproximadamente mil vidas preservadas.
A probabilidade de hospitalização foi reduzida em 8%, enquanto o tempo médio de internação apresentou queda de 6%.
O estudo também identificou redução de 14% a 15% nos custos hospitalares financiados pelo Estado.
As internações por subnutrição diminuíram 38%, enquanto os casos relacionados a doenças infecciosas caíram 8% e as complicações digestivas recuaram 9%.
Além disso, os gastos das famílias com medicamentos cresceram cerca de 50%.
Benefícios também movimentam a economia local
Os R$ 27 milhões pagos a camaquenses no primeiro semestre não ficam parados.
Na prática, boa parte desse dinheiro volta rapidamente para a economia de Camaquã.
O primeiro destino costuma ser o orçamento básico das famílias.
Isso inclui mercado, padaria, farmácia, gás, luz, água, aluguel, transporte, roupas e pequenos serviços.
Por isso, os valores pagos pelo Bolsa Família e pelo BPC acabam circulando principalmente no setor terciário.
Esse setor reúne comércio e serviços, justamente onde estão muitas compras do dia a dia.
Supermercados, farmácias, lojas, postos, prestadores de serviço e profissionais autônomos entram nesse ciclo.
Quando uma família usa o benefício no comércio local, o dinheiro ajuda a manter vendas, empregos e renda.
Esse recurso também chega a fornecedores, entregadores, trabalhadores e pequenos negócios da cidade.
É o chamado efeito multiplicador da renda.
O benefício começa como proteção social, mas também ajuda a sustentar parte da atividade econômica local.
Estudos nacionais já apontaram esse efeito.
O Ipea indicou que transferências como o Bolsa Família têm impacto relevante sobre o consumo das famílias.
Já levantamento citado pelo governo federal, com base em pesquisa do Banco Mundial, apontou aumento no consumo, nos empregos, nas contas bancárias e na arrecadação em locais onde o programa se expandiu.
Em Camaquã, isso ajuda a explicar por que os benefícios sociais também devem ser analisados pelo impacto econômico.







