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O Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciou nesta terça-feira (2) a proposta de aplicação de tarifas adicionais sobre produtos importados de 60 países, incluindo o Brasil. A medida integra uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelo governo norte-americano para apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais dos Estados Unidos.
Para o Brasil, a proposta prevê uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos exportados ao mercado norte-americano. Segundo o USTR, a justificativa está relacionada a supostas falhas no combate ao comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. O órgão informou que receberá manifestações públicas sobre a proposta até o dia 6 de julho, com audiência marcada para 7 de julho.
A iniciativa ocorre paralelamente a outra investigação comercial divulgada nesta semana pelo governo dos Estados Unidos, que também propõe tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros em razão de divergências comerciais e regulatórias entre os dois países.
Governo brasileiro aponta riscos para exportações
Em resposta ao relatório norte-americano, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que a eventual aplicação das tarifas poderá afetar diretamente cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos.
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De acordo com o ministro, os setores mais vulneráveis são os de máquinas e equipamentos industriais, produtos de plástico, calçados, madeira beneficiada, papel cartão, ferro fundido, peixes e crustáceos. Segundo ele, a medida pode gerar impactos sobre a produção industrial, empregos e renda.
A manifestação foi feita em Brasília durante coletiva ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Pix fica fora das negociações
Márcio Elias Rosa também reforçou que o sistema de pagamentos instantâneos Pix não será incluído em qualquer negociação comercial com os Estados Unidos.
A declaração ocorre após o USTR apontar, em relatórios recentes, que o Banco Central brasileiro favoreceria o Pix em detrimento de empresas estrangeiras do setor de pagamentos eletrônicos.
Segundo o ministro, o governo brasileiro considera o tema relacionado à soberania nacional e não admite discutir alterações no sistema como condição para acordos comerciais.
O governo federal informou ainda que mantém diálogo permanente com autoridades norte-americanas desde os encontros realizados entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e que novas reuniões técnicas seguem ocorrendo na tentativa de evitar a adoção das medidas tarifárias.







