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Este é, de longe, o pior momento para escrever… estou bastante frustrado com o final de The Boys.
Tem sido complicado ultimamente. Não sei o que está acontecendo com a indústria, mas a forma como a maioria das séries tem finalizado de maneira péssima é assustadora. Temos Lost, The Walking Dead, Dexter, Supernatural, How I Met Your Mother, Stranger Things e Game of Thrones… as duas últimas, junto com Lost, causam revolta até hoje.
Todavia… vamos lá.
Eu já havia lido os quadrinhos de The Boys quando a série começou; sabia da lore, conhecia os personagens e o final. Contudo, a adaptação me surpreendeu muito positivamente no início. Os personagens eram mais bem desenvolvidos e o fato de “Os Caras” não utilizarem o Composto V desde o começo trazia novas possibilidades.
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Os Supers eram menos voláteis e o foco ficou nos EUA, vale ressaltar que, nos quadrinhos, a história começa na Escócia com o Hughie e vai para a Rússia nas primeiras 10 ou 12 edições, e a coisa é meio confusa.
Porém, nas HQs, o grupo tem um papel que faz mais sentido: eles são oficialmente vinculados à CIA. Existem grandes diferenças, mas que faziam sentido dentro de cada mídia. Irei falar logo mais sobre elas.
O desenvolvimento da série funcionou espetacularmente pensando no médio prazo, atribuindo consequências reais e problemas ao utilizar o V temporário, além de diminuir o escopo dos Supers, focando principalmente nos Sete e em mais uns 20 ou 30 ao decorrer das temporadas.
Porém, essa longevidade trouxe um problema: a saturação. Isso fica ainda mais evidente em arcos curtos, mal resolvidos ou prolongados demais, como o caso do Herogasm (a festa sexual anual dos Supers), o romance do Hughie e da Luz Estrela, a dinâmica do Ryan com o Capitão Pátria e o Bruto, e o fato de não termos outras equipes de heróis desenvolvidas.
Para falar a verdade, nem lembro se há outra em atividade; as mencionadas são sempre de antes do surgimento dos Sete. O foco ficou totalmente nos personagens.
A diferença para as HQs
Sobre as grandes diferenças, já que seria impossível falar de todas, aqui vão algumas que mudam drasticamente o desenrolar de cada história, por mais que exista semelhanças. Antes, quero deixar uma coisa clara: as HQs de The Boys não são agradáveis.
Talvez a frustração momentânea com a série tenha colocado os quadrinhos em um pedestal maior do que eles realmente merecem. Ainda assim, o final das HQs, por mais chocante que seja, é mais coerente e apoteótico pela forma como a história se desenvolveu.
Como citei antes, o Composto V é muito diferente nos dois casos. Nas HQs, eles o usam desde o começo para nivelar a luta contra os Supers. O Leitinho (Mother’s Milk) já nasce com poderes.
Na série, apenas a Fêmea (Kimiko) tem poderes inicialmente, inclusive, nos quadrinhos ela tem pouco desenvolvimento, sequer tem nome, é japonesa e só vemos o momento em que ganha os poderes quando bebê. O Soldier Boy é patético nas HQs, sendo um Super sem qualquer importância. Becca e Ryan morrem juntos no parto, o Bruto mata o bebê após ele despedaçar o corpo da sua esposa.
E, falando nisso, temos o Black Noir, que nas HQs é um clone do Capitão Pátria, colocado lá para monitorá-lo e pará-lo se necessário, possivelmente o maior plot twist da saga.
Billy Bruto também não é um cara bom e se torna o grande vilão final: ele mata seus companheiros (a Fêmea, o Leitinho, o Francês e o Salsicha do Amor) e, posteriormente, mata o próprio Black Noir com um pé de cabra, lembrando que é o Noir quem mata o Capitão Pátria nos quadrinhos.
Personagens prejudicados
Fico triste pelo Antony Starr (Capitão Pátria) e pelo Karl Urban (Billy Bruto), que entregaram atuações absurdas durante as 5 temporadas, mas acabaram engolidos por um roteiro patético, diálogos fracos e uma conclusão pífia. The Boys era uma das séries com maior potencial dos últimos tempos, não pelas teorias dos fãs, mas pela grandiosidade do que poderíamos ter visto.
Para piorar, tivemos uma segunda temporada muito boa de Gen V, onde a Marie, protagonista da série, cresce de maneira absurda, sendo dita como a segunda Super mais poderosa do mundo, atrás apenas do Capitão Pátria, para no final, sequer ser utilizada.
Inclusive, Gen V foi MUITO superior às duas últimas temporadas de The Boys. Quem não assistiu, assista, vale a pena. Só nos resta lamentar o potencial desperdiçado.
Não sei se falo sobre a série como um todo, se foco só nessa aberração de temporada final, ou sobre o potencial jogado no lixo… É tanta coisa que precisava ser mencionada. Confesso que é tudo muito frustrante.
O que comentei acima sobre a Marie é, possivelmente, o que mais me causou revolta ao assistir ao último episódio, mas não foi só isso. O arco da mana Sábia é muito irritante; tem um final ok, mas tudo o que aconteceu antes, ela sendo enganada pelo Soldier Boy, foi bizarro.
Aliás, o Soldier Boy teve um dos arcos mais sem sentido dos últimos tempos: ele entrega algo que tornaria o Capitão Pátria indestrutível porque tanto ele quanto o Pátria (seu filho) saíram com a mesma mulher, uma nazista. É muita bizarro².
Existe uma série excelente até a terceira temporada. Dali para frente, a coisa não anda, nada acontece. Por mais relevantes que os eventos pareçam ser, eles perdem a importância logo no episódio seguinte. Há uma forte incoerência em absolutamente tudo, seja com relação aos Supers ou aos Caras.
Talvez tenha faltado orçamento, talvez tenha faltado roteiro… ou talvez tenha faltado só coragem mesmo de colocar 30 Supers para lutar de verdade contra Os Caras e o pessoal de Gen V.








