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A cigarrinha-do-milho, considerada atualmente o principal problema sanitário da cultura no Brasil, tem causado prejuízos expressivos aos produtores rurais. Estudo divulgado nesta terça-feira (7) pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) aponta perdas anuais estimadas em US$ 6,5 bilhões, cerca de R$ 33,6 bilhões, em decorrência da praga nas lavouras do país.
Entre as safras de 2020 e 2024, os danos acumulados chegaram a US$ 25,8 bilhões (mais de R$ 134 bilhões), refletindo uma perda média de produtividade de 22,7% no período. O impacto equivale à redução anual de aproximadamente 31,8 milhões de toneladas de milho, ou cerca de 2 bilhões de sacas de 60 quilos que deixaram de ser produzidas.
O levantamento foi publicado na edição de abril da revista científica internacional Crop Protection e contou com a participação de pesquisadores da Embrapa, da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Praga afeta produtividade e eleva custos no campo
A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) transmite bactérias responsáveis pelos chamados enfezamentos da planta, doença que compromete o desenvolvimento do milho e reduz significativamente a produção de grãos. Segundo o estudo, em cerca de 80% das localidades analisadas, a presença do inseto foi apontada como fator central para a queda de produtividade.
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Além das perdas na colheita, os produtores também enfrentaram aumento nos custos de controle da praga. Entre 2020 e 2024, os gastos com aplicação de inseticidas cresceram 19%, ultrapassando US$ 9 por hectare.
A doença pode se manifestar nas formas pálida ou vermelha, alterando a coloração das plantas, provocando estrias e comprometendo o rendimento das lavouras. De acordo com o pesquisador da Embrapa Cerrados, Charles Oliveira, não existe tratamento preventivo capaz de eliminar o problema, o que pode resultar até na perda total das plantações.
Embora a doença seja conhecida desde a década de 1970, surtos mais intensos passaram a ocorrer com maior frequência a partir de 2015. Especialistas apontam que mudanças no sistema produtivo, como a expansão da segunda safra (safrinha) e o cultivo contínuo de milho ao longo do ano, favoreceram a sobrevivência do inseto e dos microrganismos transmissores.
Impactos econômicos atingem toda a cadeia produtiva
O Brasil ocupa a posição de terceiro maior produtor mundial de milho e está entre os principais exportadores do grão. Para a safra 2025/2026, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima produção de 138,4 milhões de toneladas, com valor econômico próximo de US$ 30 bilhões.
Segundo especialistas, os prejuízos provocados pela cigarrinha ultrapassam as propriedades rurais e afetam toda a cadeia econômica. O milho é base da alimentação animal, especialmente nas cadeias de aves, suínos e leite, além de ser matéria-prima para biocombustíveis.
Assim, quebras de safra podem elevar preços ao consumidor e impactar a balança comercial brasileira. Pesquisadores destacam que estudos de mensuração dos danos são fundamentais para orientar políticas públicas, seguros agrícolas e estratégias de manejo mais eficientes.Recomendações para reduzir os danos
Diante da alta capacidade de reprodução e dispersão da praga, a Embrapa recomenda práticas integradas para minimizar os impactos nas lavouras. Entre as principais medidas estão:
- eliminação do milho tiguera (plantas voluntárias na entressafra);
- sincronização do plantio entre produtores;
- uso de cultivares resistentes ou tolerantes;
- aplicação inicial de controle químico e biológico;
- monitoramento constante das lavouras.
Pesquisadores também estudam o uso de controle biológico com fungos entomopatogênicos, considerados inimigos naturais da cigarrinha, especialmente diante da crescente resistência do inseto a alguns inseticidas.
Segundo a Embrapa, o enfrentamento da cigarrinha-do-milho exige ação coordenada entre produtores, pesquisadores e órgãos públicos para preservar a produtividade agrícola e a competitividade do Brasil no mercado internacional.








