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Terminando as resenhas sobre os 4 filmes do Oscar dos quais eu gostaria de falar, temos o grande favorito ao prêmio de Melhor Filme em 2026: Uma Batalha Após a Outra.
O filme é uma sátira do extremismo que nos joga em um ambiente caótico e cheio de ação, apresentando uma fotografia espetacular, cenas fantásticas e atuações gigantescas, num roteiro muito bem amarrado e que nos deixa quase sem tempo para pensar, fazendo jus ao título da obra.
Somos apresentados aos extremos, à polarização. De um lado, temos o grupo revolucionário “French 75”, conhecido por libertar imigrantes e explodir bancos; em contrapartida, temos o Coronel Lockjaw, que representa o sistema: um governo autoritário e supremacista branco (Christmas Adventurers’ Club) que ataca minorias. E aí se dá o embate entre o grupo de revolucionários e o governo.
Todavia, a trama não se trata simplesmente disso; há relações pessoais, ambições e fortes contradições envolvidas.
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Essa obra de Paul Thomas Anderson é inspirada no complexo romance Vineland, de Thomas Pynchon, que nos mostra os Estados Unidos da década de 80 em um ambiente movido pela TV, por hippies e muitas drogas.
Na história, os personagens que fazem parte da contracultura (rejeitando normas sociais estabelecidas, como o consumismo e o conservadorismo) tentam sobreviver em desacordo com um governo cada vez mais autoritário.
O que vemos no filme é uma releitura, uma nova interpretação que traz elementos como o governo, a imigração e as drogas para se acomodar ao século XXI.
Os personagens na obra são exagerados. Somos apresentados a uma nova versão de “O Cara” (O Grande Lebowski) interpretada por Leonardo DiCaprio: Bob Ferguson, que, no tempo presente do filme, é um ex-combatente da French 75.
Ele gosta de ficar em casa, relaxar e fumar maconha, criando sua filha, Willa Ferguson, sozinho, após ter sido abandonado por sua ex-companheira, a também revolucionária Perfidia (espetacularmente interpretada por Teyana Taylor).
Além deles, vale destacar mais dois personagens espetaculares: o provável vencedor do Oscar de Ator Coadjuvante, Sean Penn, em uma das melhores performances da sua carreira no papel do Coronel Lockjaw, que é explosivo, atormentador, hipócrita e incrivelmente mediano, não é espetacular em nada, o que o torna muito perigoso, e o Sensei Sergio, interpretado por Benicio Del Toro, um daqueles personagens para os quais não damos muita bola nem entendemos muito bem nas primeiras cenas, mas que, além de ser importante para a trama, é muito bem desenvolvido.
Fiquei pensando no que faz o filme ser tão espetacular, fora as atuações, que junto com Valor Sentimental e Hamnet, são as melhores entre os indicados a Melhor Filme deste Oscar, e aí acho que temos que creditar esse êxito a Paul Thomas Anderson.
A direção, a fotografia e a edição elevaram muito a qualidade da obra. Lembro perfeitamente da cena de perseguição do coronel contra a menina (Willa), algo que víamos em filmes antigos, mas não na perspectiva mostrada; é algo que não consigo explicar tão bem, mas merece ser citado.
Além disso, é claro, temos a trilha sonora assinada mais uma vez por Jonny Greenwood, guitarrista do Radiohead. São várias as colaborações entre o diretor e o artista desde o memorável e espetacular Sangue Negro, um FILMAÇO!
Uma batalha após a outra é o tipo de filme completo, que entretem, e ressoa com o passar do tempo, não é digerido na hora, os personagens marcam, as atuações marcam, geram discussões e debates, além de tocar em temas importantes.








