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Avanço da internet no Brasil esbarra em acesso desigual e conexão limitada

Avanço da internet no Brasil esbarra em acesso desigual e conexão limitada

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O uso da internet no Brasil alcançou 90,5% da população em 2025, o maior índice já registrado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios sobre Tecnologia da Informação e Comunicação (PNAD-TIC 2026), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Apesar do avanço, os dados mostram que a inclusão digital no país ainda enfrenta desafios importantes, principalmente relacionados à qualidade do acesso, à dependência da internet móvel e à falta de computadores nos domicílios.

Em 2019, menos de 80% dos brasileiros utilizavam a internet. O crescimento ao longo dos últimos anos demonstra a expansão da conectividade, impulsionada principalmente pelo uso de smartphones e planos de dados móveis.

Acesso aumenta, mas desigualdade persiste

Segundo a PNAD-TIC, 86% dos domicílios brasileiros possuem banda larga fixa e móvel ao mesmo tempo, o que indica uma melhora na infraestrutura de acesso. No entanto, 10,7% dos lares dependem exclusivamente dos dados da telefonia móvel para realizar atividades como acessar bancos, serviços públicos, estudar, trabalhar e se comunicar.

Para a especialista em telecomunicações e direitos digitais Flávia Lefrève, em entrevista a Agência Brasil, o custo elevado da internet fixa e dos equipamentos contribui para esse cenário. Ela afirma que muitos usuários recorrem a planos móveis com franquias limitadas de dados, o que pode restringir o uso da rede para atividades mais complexas.

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Flávia também destaca que a internet se tornou essencial para o exercício da cidadania, já que diversos serviços públicos são realizados de forma digital. A especialista critica práticas que limitam o acesso após o esgotamento da franquia de dados e lembra que o Marco Civil da Internet estabelece princípios como o direito de acesso à rede e a neutralidade, que proíbe a discriminação do tráfego por tipo de aplicativo ou serviço.

O que é o Marco Civil

A discussão sobre qualidade do acesso também envolve direitos garantidos pela legislação brasileira. O Marco Civil da Internet é a Lei nº 12.965, de 2014, que estabelece os princípios, direitos, garantias e deveres para o uso da internet no Brasil. A norma foi criada para oferecer segurança jurídica às relações digitais e assegurar que a internet seja utilizada de forma mais democrática, transparente e segura. Entre seus principais fundamentos estão a garantia da liberdade de expressão, a proteção da privacidade e dos dados pessoais dos usuários, a neutralidade da rede, que impede que provedores discriminem o tráfego de dados por origem, destino ou tipo de aplicação, e o direito de acesso à internet. Dessa forma, o Marco Civil da Internet passou a servir como referência legal para regular a atuação de usuários, empresas e provedores no ambiente digital brasileiro.

Desafio além da conectividade

Os dados da PNAD-TIC indicam que o Brasil avançou significativamente na ampliação do acesso à internet. No entanto, especialistas apontam que a inclusão digital plena depende não apenas de estar conectado, mas também de ter acesso de qualidade, equipamentos adequados e condições econômicas para utilizar a rede de forma ampla.

Assim, embora mais de 90% dos brasileiros estejam conectados, a desigualdade no tipo de acesso ainda limita o uso da internet para educação, trabalho, participação cidadã e acesso a serviços essenciais.

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