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Denúncias de violência digital contra mulheres crescem 188,6% em um ano no Brasil

Denúncias de violência digital contra mulheres crescem 188,6% em um ano no Brasil

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As denúncias de violência contra mulheres em ambientes digitais registraram crescimento de 188,6% no Brasil entre janeiro e maio de 2026, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (22) pelo Ministério das Mulheres. No período, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 recebeu 16.725 denúncias relacionadas a esse tipo de crime, frente às 5.795 ocorrências registradas nos mesmos meses de 2025.

O levantamento aponta que redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos online e outras plataformas digitais têm sido cada vez mais utilizados para práticas como perseguição, ameaças, chantagens, exposição indevida de imagens, humilhações e outras formas de violência que afetam meninas e mulheres.

Para fortalecer o atendimento, o Ministério das Mulheres promoveu, em parceria com a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), a capacitação de cerca de 350 atendentes do Ligue 180. O treinamento teve como foco a identificação e o encaminhamento adequado de casos de violência digital, além da atualização dos protocolos de atendimento.

Perfil das vítimas

Os dados mostram que a violência digital não afeta todas as mulheres da mesma forma. Em 2025, quase metade das vítimas que procuraram o Ligue 180 eram mulheres negras, sendo 37,5% pardas e 10,5% pretas. Mulheres brancas representaram 34,2% dos registros.

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A faixa etária com maior número de denúncias foi a de 35 a 44 anos, responsável por 21,6% dos casos. Quando considerada a população entre 25 e 49 anos, esse grupo concentra mais da metade das ocorrências.

O levantamento também aponta fatores socioeconômicos relevantes. Cerca de 45,9% das vítimas não possuíam renda ou recebiam até um salário mínimo, enquanto 25,7% tinham ensino médio completo.

Novo decreto amplia proteção

O crescimento das denúncias ocorre em meio à implementação do Decreto Presidencial nº 12.976/2026, que entrou em vigor na última sexta-feira (19). A norma estabelece diretrizes para o combate à violência contra mulheres na internet e define obrigações para plataformas digitais.

Entre as medidas previstas está o prazo máximo de duas horas para remoção de imagens íntimas divulgadas sem consentimento, além da equiparação dos chamados “deep nudes”, imagens falsas de nudez geradas por inteligência artificial, às imagens reais para fins de proteção das vítimas.

Campanha nacional

Para ampliar a conscientização sobre o tema, o Ministério das Mulheres lançou a campanha nacional “O Digital é Nosso Lugar – Nossa Conexão é Livre. Proteja. Denuncie. Ligue 180”. A iniciativa busca orientar a população sobre os diferentes tipos de violência digital e incentivar denúncias por meio dos canais oficiais de atendimento.

Atualmente, a Central Ligue 180 registra cerca de 3 mil atendimentos por dia em todo o país. Aproximadamente 30% deles resultam em denúncias, enquanto os demais envolvem pedidos de orientação e informações sobre direitos e formas de proteção.

Autor

  • agencia-brasil

    Agência pública de notícias da EBC. Informações sobre política, economia, educação, direitos humanos e outros assuntos.

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