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As eleições de 2026 mantiveram no cenário político nomes que aparecem em documentos, registros de viagens, negócios e articulações relacionados ao Banco Master e a Daniel Vorcaro, investigado em um dos maiores escândalos financeiros do país.
Ao menos 15 políticos eleitos neste ano são mencionados em diferentes contextos associados ao caso, segundo documentos atribuídos à Polícia Federal (PF), registros apreendidos e reportagens sobre as investigações. As situações variam entre apurações formais, contatos pessoais e decisões administrativas ou legislativas, sem que todas representem suspeitas de irregularidades.
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Entre os eleitos estão o senador Jaques Wagner (PT-BA), o deputado Mário Frias (PL-SP), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro.
Jaques Wagner aparece em documentos da Polícia Federal
O senador Jaques Wagner (PT-BA) aparece em documentos da PF que apontam 74 ligações entre ele e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Os contatos ocorreram entre novembro de 2023 e maio de 2025 e somaram aproximadamente cinco horas e meia.
A relação começou antes da sociedade de Lima com Vorcaro. Em 2018, quando Wagner era secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, o empresário adquiriu a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), responsável pela rede Cesta do Povo, durante o governo de Rui Costa (PT). Posteriormente, expandiu o Credcesta, programa de crédito consignado destinado a cerca de 400 mil servidores, aposentados e pensionistas.

Segundo a PF, a atuação de Wagner teria coincidido com interesses do Master em áreas como crédito consignado, regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), negociações para venda do banco ao BRB e mercado de carbono. Um dos episódios analisados envolve a chamada “emenda Master”, proposta que buscava ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do FGC.
Os investigadores também examinam registros envolvendo aeronaves utilizadas pelo senador, negociações sobre um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador e transferências para uma empresa ligada à sua família. Wagner nega irregularidades, afirma ter prestado esclarecimentos e deixou a liderança do governo Lula no Senado após a divulgação dos documentos.
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Outros políticos baianos aparecem em registros ligados ao Banco Master
Além de Wagner, outros três políticos baianos eleitos em 2026 aparecem em episódios associados ao Master. O senador eleito Rui Costa (PT-BA) governava a Bahia quando a Ebal foi privatizada, em 2018, e adquirida por Augusto Lima, que posteriormente expandiu o Credcesta.
Em 2022, Costa assinou um decreto que restringiu a portabilidade dos empréstimos do programa. Seu nome também apareceu em uma lista de possíveis presentes elaborada pelo empresário, sem comprovação de recebimento. O senador nega favorecimento ao banco.
O governador reeleito Jerônimo Rodrigues (PT) também foi mencionado na lista e manteve o Credcesta durante sua gestão, mas não é apontado como investigado pela PF na Operação Compliance Zero.
Já o deputado federal reeleito Claudio Cajado (PP-BA) apresentou, em 2025, um pedido de urgência para uma proposta que permitiria ao Congresso destituir dirigentes do Banco Central, enquanto a instituição analisava a compra do Master pelo BRB. Cajado nega relação entre sua atuação legislativa e os interesses do banco.

Hugo Motta e Antônio Rueda aparecem em registros de Vorcaro
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), reeleito deputado federal, aparece em mensagens nas quais Vorcaro teria se referido a ele como seu “número 1”. Segundo a PF, o banqueiro também custeou diárias em uma suíte de hotel de luxo em Lisboa para o parlamentar.
Motta afirmou não ver irregularidade no pagamento, alegando que a hospedagem ocorreu durante um evento corporativo e jurídico.
Já Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, aparece em conversas extraídas do celular de Vorcaro. O Banco Master também realizou pagamentos ao dirigente partidário, que afirmou que os valores correspondiam a serviços advocatícios prestados à instituição. Rueda foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro com 155.836 votos.

Mário Frias é investigado por recursos destinados ao filme Dark Horse
Reeleito deputado federal por São Paulo, Mário Frias (PL) é produtor-executivo de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro que teria recebido recursos relacionados a Vorcaro.
Em setembro, Frias foi alvo de mandados de busca e apreensão em uma investigação sobre suspeitas de desvio de aproximadamente R$ 2 milhões em emendas parlamentares para financiar a produção. O deputado nega irregularidades.
O caso também envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que avançou ao segundo turno da disputa presidencial. Segundo as investigações, ele teria solicitado recursos que ultrapassam os R$ 130 milhões a Vorcaro para o projeto. Flávio nega irregularidades e afirma que o financiamento do filme teve origem privada.

Nikolas Ferreira também aparece em contatos do banqueiro
Em Minas Gerais, Nikolas Ferreira (PL) foi reeleito deputado federal com mais de 2,6 milhões de votos, segundo os resultados informados.
Seu nome apareceu entre os contatos encontrados no celular de Vorcaro. Inicialmente, o parlamentar afirmou não conhecer pessoalmente o banqueiro, mas posteriormente confirmou o envio de áudios em 2025.
Nas mensagens, Nikolas pediu ajuda em relação a um ativo de mineração e comentou críticas que havia feito a um evento patrocinado pelo Master em Londres. O deputado afirmou que não recebeu dinheiro de Vorcaro.
Outros sete eleitos aparecem em viagens, encontros e operações financeiras
Outros sete políticos eleitos em 2026 aparecem em registros ligados ao Banco Master. O deputado Dr. Luizinho (PP-RJ) é citado em reportagens sobre encontros com Vorcaro e teve seu nome identificado em um manuscrito apreendido pela PF na casa de Ciro Nogueira.
No mesmo documento, investigadores encontraram uma possível referência a Arthur Lira (PP-AL), eleito senador. As anotações não comprovam pagamentos ou recebimento de vantagens.
Os deputados Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Rodrigo Gambale (Podemos-SP) aparecem em registros de um voo com Vorcaro em agosto de 2025. Gambale afirmou que desconhecia a presença do banqueiro na aeronave.
Marcos Pereira (Republicanos-SP) foi mencionado em reportagens sobre um evento patrocinado pelo Master em Londres, mas negou ter participado.
No Distrito Federal, Thiago Manzoni (PL) participou da votação que autorizou a tentativa de aquisição do Master pelo BRB e, posteriormente, cobrou esclarecimentos sobre a operação.
Em Alagoas, o governador eleito JHC (PSDB) aparece no caso devido a investimentos de R$ 97 milhões realizados pelo instituto de previdência de Maceió no Master durante sua gestão como prefeito. A PF investiga possíveis irregularidades nas aplicações. JHC afirma que as decisões foram tomadas pela equipe técnica do instituto.
Ciro Nogueira e ACM Neto estão entre os derrotados nas urnas
Nem todos os políticos mencionados em registros associados ao Banco Master conseguiram se eleger.
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) terminou em terceiro na disputa pela reeleição e ficou fora do Senado. Investigado pela PF, ele foi alvo de buscas na Operação Compliance Zero por suspeitas relacionadas à sua atuação em favor de mudanças na cobertura do FGC. Ciro nega irregularidades.
Na Bahia, ACM Neto (União Brasil) perdeu a disputa pelo governo estadual no primeiro turno. O ex-prefeito de Salvador aparece em mensagens extraídas do celular de Vorcaro e teve sua empresa de consultoria associada a pagamentos do Banco Master. Ele afirma que os valores correspondem a serviços prestados regularmente.
No Maranhão, Weverton Rocha também não conseguiu a reeleição ao Senado. O parlamentar foi citado no caso Master, embora seu nome tenha ganhado maior destaque nas investigações sobre fraudes no INSS.

Investigações não tiveram efeito eleitoral uniforme
Os resultados das eleições indicam que a presença de políticos em investigações ou registros associados ao Banco Master não impediu a vitória de diversos candidatos, enquanto outros perderam as disputas.
Uma pesquisa Genial/Quaest realizada em março apontou que 38% dos entrevistados evitariam votar em candidatos envolvidos no escândalo bancário. No entanto, os resultados eleitorais, isoladamente, não permitem determinar o impacto das investigações sobre a escolha dos eleitores.
A citação de políticos em documentos, viagens, encontros ou decisões administrativas não representa necessariamente envolvimento em crimes. As situações possuem naturezas distintas e dependem da apuração das autoridades competentes.







