Compartilhe este conteúdo
As chuvas intensas, o granizo e o tornado registrados na segunda quinzena de julho provocaram prejuízos em 30.007 propriedades rurais de 101 municípios do Rio Grande do Sul, segundo levantamento divulgado pela Emater/RS. O relatório identificou impactos em 1.606 localidades, atingindo infraestrutura, produção agrícola, pecuária e sistemas de abastecimento de água.
Os primeiros temporais ocorreram entre os dias 20 e 23 de julho, principalmente em municípios da região Norte. Entre os dias 27 e 29, novas ocorrências de chuva forte, ventos e granizo ampliaram os danos para áreas dos Vales, Serra e Campanha.
📲 Confira um resumo das últimas notícias de Camaquã e região.
O levantamento da Emater reúne os principais impactos dos eventos climáticos registrados no estado e serve como base para a identificação das áreas que necessitam de ações de recuperação e apoio aos produtores atingidos.
Estradas e estruturas rurais são afetadas
A infraestrutura foi uma das áreas mais prejudicadas pelos eventos climáticos. Conforme a Emater, 485 comunidades registraram problemas para o escoamento da produção, enquanto mais de 18 mil quilômetros de estradas vicinais sofreram algum tipo de dano.
Também foram contabilizados prejuízos em 1.730 casas, 1.396 galpões, 204 silos, 223 estufas de horticultura e 183 açudes utilizados para piscicultura e irrigação. Ao todo, 2.343 produtores tiveram perdas relacionadas a construções e instalações rurais.
O abastecimento de água também foi comprometido. O levantamento identificou 173 fontes contaminadas e 1.205 famílias sem acesso à água, situação que, segundo a análise técnica, demanda medidas emergenciais para garantir o fornecimento de água potável.
Trigo, canola e tabaco entre as culturas atingidas
As lavouras de inverno registraram perdas expressivas. Os danos atingiram mais de 79 mil hectares de grãos, com perdas estimadas em 34.791 toneladas.
📲 Participe do nosso grupo de notícias no WhatsApp
O trigo foi a cultura de grãos mais afetada. Foram 40.490 hectares atingidos, com perda estimada em 19.595 toneladas e prejuízos para 1.969 produtores.
A canola teve 18.593 hectares afetados e perdas estimadas em 7.788 toneladas.
Na olericultura, os prejuízos ultrapassaram 61,5 mil toneladas. A batata concentrou uma das maiores perdas, com 37.895 toneladas, enquanto a cebola teve redução estimada em 3.805 toneladas, comprometendo toda a área plantada registrada nos municípios atingidos.
Na fruticultura, as perdas chegaram a 6.966 toneladas, com os citros concentrando a maior parte dos danos. Laranja e bergamota foram algumas das frutas mais afetadas. Ao todo, 493 produtores do segmento tiveram prejuízos.
O tabaco apresentou o maior volume de perdas entre as culturas analisadas. Foram estimadas 40.060 toneladas perdidas em 2.847 hectares, afetando 788 produtores. Além das lavouras, 16 estufas de cura sofreram danos.
Pecuária registra mortes e dificuldades na produção de leite
Os temporais também afetaram a produção pecuária. A Emater contabilizou a morte de 43 bovinos de corte, 25 bovinos de leite e 51 suínos, além da perda de 17,4 toneladas de peixes e de 30 caixas de apicultura.
Os danos nas estradas dificultaram o acesso às propriedades e comprometeram a coleta de leite. Segundo o levantamento, 192.806 litros deixaram de ser coletados por dia, enquanto o volume acumulado não comercializado ultrapassou 2,3 milhões de litros. A situação atingiu 1.788 produtores.
As pastagens também foram prejudicadas. Mais de 100 mil hectares registraram impactos, com perdas médias de produtividade estimadas entre 26% e 27%. A redução da disponibilidade de pasto pode aumentar os custos de alimentação e afetar a produção dos rebanhos.







