Home / Política / Quem mentiu mais? Falas de Lula e Flávio Bolsonaro são checadas após debate da Band

Quem mentiu mais? Falas de Lula e Flávio Bolsonaro são checadas após debate da Band

Lula e Bolsonaro

Compartilhe este conteúdo

O primeiro debate do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado no último domingo (18) pela Band, em parceria com o Estadão, foi marcado por trocas de acusações, ataques pessoais e questionamentos sobre as trajetórias políticas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

O confronto também expôs divergências sobre economia, segurança pública e corrupção, em meio a um clima de hostilidade e com espaço limitado para o debate de propostas e visões para o futuro do Brasil.

📲 Confira um resumo das últimas notícias de Camaquã e região.

Ao longo do encontro, os candidatos recorreram a números, comparações históricas e acusações contra seus adversários que mais geram dúvidas do que opiniões, o quanto do que foi dito é verdade? Se os dois se acusaram de mentir, quem estava certo?

A partir disso, as principais declarações dos dois candidatos foram posteriormente contestada por agências especializadas em checagem de fatos, que confrontaram as falas com documentos, dados oficiais e registros públicos e permitiram maiores esclarecimentos.

Cópia de padrao-site ()
Debate na Band foi o primeiro encontro dos dois candidatos nessa eleição

Mas, afinal, quem apresentou mais informações falsas durante o debate?

Segundo o levantamento consolidado das verificações atribuídas a quatro veículos de checagem, Aos Fatos, Agência Lupa, Estadão Verifica e Fato ou Fake, do g1, Flávio Bolsonaro foi o vencedor com 18 afirmações classificadas como falsas ou insustentáveis, enquanto Lula registrou apenas cinco.

Ao todo, foram identificadas 66 declarações distintas analisadas pelas quatro agências, sendo 36 de Flávio Bolsonaro e 30 de Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento considera cada afirmação apenas uma vez, independentemente da quantidade de veículos que tenham analisado a mesma declaração.

📲 Participe do nosso grupo de notícias no WhatsApp

Das 36 falas de Flávio, quatro foram consideradas verdadeiras ou procedentes, 18 falsas ou insustentáveis e 14 enganosas, exageradas ou apresentadas sem o contexto necessário.

Já Lula teve 19 das 30 declarações classificadas como verdadeiras, cinco como falsas ou insustentáveis e seis consideradas enganosas, exageradas ou imprecisas.

Considerando apenas as afirmações falsas ou insustentáveis, Flávio apresentou mais de três vezes o número atribuído a Lula. Ao incluir também as declarações com ressalvas, o senador somou 32 ocorrências, contra 11 do atual presidente.

Quatro agências analisaram as declarações dos candidatos

O levantamento reúne verificações realizadas por Aos Fatos, Agência Lupa, Estadão Verifica e Fato ou Fake, veículos que analisam declarações públicas e confrontam informações com documentos, estatísticas e outras evidências disponíveis.

Das mais de 130 análises das agências, a consolidação reúne 66 afirmações únicas, distribuídas conforme a classificação apresentada para cada candidato.

Portal de Notícias Sul

O resultado, entretanto, não representa necessariamente uma análise de todas as falas do debate, já que as agências selecionam declarações factuais relevantes e passíveis de comprovação.

Flávio teve declarações contestadas sobre segurança, gastos públicos e corrupção

Entre as afirmações de Flávio Bolsonaro questionadas pelas checadoras estão declarações relacionadas à legislação de segurança pública, às despesas do governo federal e às investigações envolvendo o presidente Lula.

Uma das informações classificadas como falsas pelo Fato ou Fake foi a de que Lula e a primeira-dama Janja teriam gasto R$ 7 bilhões em viagens. Segundo a checagem apresentada, o montante de R$ 7,35 bilhões corresponde às despesas de viagens a serviço de toda a estrutura do Executivo federal entre 2023 e 2025, envolvendo aproximadamente 475 mil servidores. Os gastos atribuídos à Presidência no período foram de R$ 150,5 milhões.

Outra declaração considerada falsa foi a de que o Supremo Tribunal Federal (STF) teria condenado Lula. As condenações do presidente ocorreram em outras instâncias da Justiça, no âmbito da Operação Lava Jato, e foram posteriormente anuladas pelo STF, que não proferiu condenação contra ele.

Cópia de padrao-site ()
O próximo debate entre os candidatos deve acontecer na Globo no dia 23/10

Flávio também afirmou que o governo brasileiro não enviou representantes aos Estados Unidos durante as negociações relacionadas ao aumento de tarifas comerciais. A checagem apontou registros de contatos e negociações diplomáticas entre representantes dos dois países, contrariando a declaração.

Na área da segurança pública, o senador teve afirmações classificadas como enganosas ao tratar da legislação antifacção e de suas consequências sobre o cumprimento de penas. Também foi contestada a declaração de que Lula teria recorrido à Justiça para manter as saídas temporárias de presos, uma vez que a ação mencionada foi apresentada pela Associação Nacional da Advocacia Criminal (Anacrim).

Por outro lado, o Fato ou Fake considerou verdadeiras declarações de Flávio sobre o tamanho da dívida pública brasileira, que atingiu R$ 11,1 trilhões em agosto de 2026, e sobre o recorde de feminicídios registrado em 2025, quando o país contabilizou 1.571 vítimas.

Lula também apresentou informações falsas, imprecisas e exageradas

O presidente Lula também teve declarações contestadas, principalmente em relação a indicadores econômicos e comparações com o governo Jair Bolsonaro.

Uma das afirmações classificadas como falsas pelo Fato ou Fake foi a de que Lula teria herdado um déficit primário equivalente a 2,8% do PIB ao assumir o governo em 2023. Segundo os dados apresentados pela checagem, o governo central encerrou 2022 com superávit primário de R$ 46,4 bilhões, equivalente a aproximadamente 0,5% do PIB.

Outra declaração questionada envolveu o crescimento da indústria. Lula mencionou uma expansão de 3,4% do PIB industrial em 2024, mas o indicador do setor foi de 3,3%. O percentual de 3,4% correspondia ao crescimento do PIB total naquele ano.

O presidente também foi contestado ao afirmar que o país somente havia voltado a crescer acima de 3,5% após seu retorno ao Palácio do Planalto. A economia brasileira registrou expansão de 4,6% em 2021, durante o governo Bolsonaro, após a retração de 2020.

Cópia de padrao-site ()
Momento em que Flávio sinaliza em negação uma declaração de Lula

Entre as declarações classificadas como verdadeiras pelo Fato ou Fake estão os superávits primários registrados durante os dois primeiros mandatos de Lula, entre 2003 e 2010, e a quitação da dívida brasileira com o Fundo Monetário Internacional (FMI), concluída no início de 2006.

A agência também confirmou dados apresentados pelo presidente sobre o programa Mais Médicos, que alcançou 18,2 mil profissionais em 2015, caiu para 13,7 mil em dezembro de 2022 e chegou a 26,6 mil médicos ativos em outubro de 2026.

Além disso, o Estadão Verifica validou declarações de Lula relacionadas à criação do Microempreendedor Individual (MEI), ao histórico de votação de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e a posicionamentos anteriores do senador sobre privatizações.

Debate teve confrontos diretos e troca de acusações

O encontro promovido pela Band foi dividido em três blocos, com perguntas dos jornalistas Eduardo Oinegue e Adriana Araújo e momentos de confronto direto entre os presidenciáveis.

Apesar de o formato permitir a apresentação de propostas para o país, parte dos embates se concentrou em episódios de governos anteriores, acusações de corrupção, segurança pública e questionamentos pessoais.

Cópia de padrao-site ()
Debate foi marcado por trocas de acusações, ataques pessoais e questionamentos sobre as trajetórias políticas e polêmicas

Checagem de fatos e pensamento crítico são fundamentais durante o período eleitoral

No atual cenário político brasileiro, acusações sem comprovação, dados apresentados sem embasamento e opiniões tratadas como fatos ganharam protagonismo nas discussões entre políticos e eleitores. O debate entre Flávio Bolsonaro e Lula demonstrou como essas práticas podem marcar um confronto eleitoral.

Diante desse cenário, o trabalho de checagem posterior torna-se fundamental para confrontar declarações com dados e fontes confiáveis, esclarecer informações e distinguir fatos comprovados de acusações, interpretações políticas e promessas de campanha.

Além da responsabilidade dos veículos de comunicação, a população também exerce um papel essencial. Acompanhar os debates, ouvir atentamente os diferentes candidatos, conhecer suas propostas e buscar informações em fontes variadas são atitudes que contribuem para uma escolha mais consciente.

O exercício do pensamento crítico é fundamental nesse processo. Questionar números, verificar o contexto das falas e considerar diferentes perspectivas ajuda a evitar conclusões precipitadas e a influência da desinformação.

A checagem de fatos não tem como objetivo determinar em quem o cidadão deve votar, mas oferecer informações verificáveis para que cada eleitor construa suas próprias conclusões. Mais do que acompanhar quem venceu um debate, é importante avaliar a consistência dos argumentos, a credibilidade das declarações e a capacidade dos candidatos de apresentar soluções para os problemas do país.

Autor

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você não pode copiar conteúdo desta página

Ver resumo das últimas notícias da região