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Mendonça diz que acesso integral a dados de Vorcaro pode tumultuar julgamento no STF

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou neste domingo (13) que a divulgação integral dos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, poderia “tumultuar o julgamento” marcado para terça-feira (15) e colocar em risco o andamento das investigações sobre o caso.

Na terça-feira, o plenário do STF realizará uma sessão extraordinária para analisar a abertura de uma possível investigação sobre as supostas relações entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro.

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Em despacho publicado neste domingo, Mendonça afirmou que todo o material utilizado no julgamento do dia 15 já está disponível aos ministros. Segundo ele, a inclusão de informações adicionais, incluindo todo o conteúdo extraído do celular de Vorcaro, poderia desviar o julgamento de seu objetivo e comprometer diligências ainda em andamento.

Mendonça respondeu a pedidos feitos por ministros para que a íntegra dos dados encontrados no aparelho do ex-banqueiro fosse disponibilizada. Moraes e Cristiano Zanin já haviam manifestado interesse em ter acesso ao material.

Conversas de Vorcaro com Moraes estão no centro da crise

Parte dos dados extraídos do celular de Vorcaro já foi tornada pública. Entre eles estão 52 mensagens que os investigadores dizem ter sido enviadas pelo ex-banqueiro a Alexandre de Moraes.

As mensagens foram recuperadas do aparelho apreendido durante as investigações e abrangem o período entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que Vorcaro foi preso preventivamente.

Segundo o relatório da Polícia Federal, Vorcaro aparenta demonstrar proximidade com Moraes e teria compartilhado com o ministro informações sobre um contrato de R$ 131 milhões entre o antigo Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

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Em outro trecho, o ex-banqueiro aparenta buscar informações sobre uma possível operação da Polícia Federal para prendê-lo. As respostas do interlocutor não puderam ser recuperadas pelos investigadores.

Moraes nega ter mantido contato com Vorcaro.

PGR defende retirada de sigilo de processo sobre pagamentos

A Procuradoria-Geral da República (PGR) também se manifestou pela retirada do sigilo de um processo relacionado à rede de pagamentos de Daniel Vorcaro.

O parecer foi elaborado em resposta a um pedido de Alexandre de Moraes, que havia encaminhado ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, defendendo que a quebra do sigilo da petição seria necessária para compreender os pagamentos atribuídos ao ex-banqueiro.

Antes de decidir, Fachin solicitou manifestação da PGR. O vice-procurador-geral da República, Hidenburgo Chateaubriand Filho, afirmou que o sigilo deveria ser retirado para permitir a compreensão da totalidade dos fatores relacionados ao tema que será analisado pelo Supremo.

Segundo a PGR, o processo sequer aparecia para consulta do órgão no sistema do STF.

Até o momento, conforme as informações apresentadas no caso, o Supremo levantou o sigilo de 53 linhas de investigação derivadas da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas por Vorcaro.

Julgamento está marcado para terça-feira

O plenário do STF deverá analisar na terça-feira o pedido relacionado à abertura de investigação contra Alexandre de Moraes. A discussão envolve, entre outros elementos, o relatório da PF com as mensagens atribuídas a Vorcaro.

A PGR pediu a anulação desse relatório, alegando irregularidades na sua produção. Segundo o órgão, André Mendonça não poderia ter autorizado o avanço de uma investigação envolvendo um ministro do Supremo sem comunicar previamente o plenário da Corte.

O caso provocou um confronto entre Mendonça e Moraes e ampliou uma crise interna no STF.

Moraes apresentou acusações contra Mendonça

Após a divulgação das conversas atribuídas a Vorcaro, Alexandre de Moraes apresentou acusações contra André Mendonça no âmbito do inquérito das Fake News.

Segundo o material apresentado por Moraes, Mendonça teria, em tese, praticado condutas que poderiam configurar improbidade administrativa, abuso de autoridade e favorecimento a determinados grupos políticos.

Em resposta, Moraes também encaminhou a Fachin um documento que apresentou como relatório de inteligência da Polícia Federal, no qual haveria indicação de direcionamento das investigações do caso Master para atingir desafetos políticos de Mendonça.

O documento, contudo, não possui assinatura nem timbre da Polícia Federal e traz na capa a indicação de que se trata de uma análise sem valor probatório.

Diante do conflito entre os ministros, Fachin decidiu retirar de Moraes a relatoria do inquérito das Fake News.

A crise envolvendo os ministros ocorre enquanto o STF analisa os desdobramentos da Operação Compliance Zero, que investiga possíveis fraudes financeiras e corrupção relacionadas ao antigo Banco Master e ao grupo de Daniel Vorcaro.

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