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O número de nascimentos registrados em Camaquã continua superando o total de óbitos no município. No entanto, um levantamento realizado pela reportagem do Sul360 no Portal da Transparência do Registro Civil revela uma tendência preocupante de encolhimento na taxa de natalidade local.
Desde 2015, primeiro ano com dados digitais consolidados no portal público, a quantidade de bebês nascidos na cidade entrou em uma trajetória de queda acentuada.
Enquanto em 2015 foram contabilizados 1.286 nascimentos, o ano de 2025 fechou com apenas 885 registros. Essa variação representa uma redução de 31,18% no volume de recém-nascidos em um intervalo de dez anos.
Por outro lado, o volume de óbitos manteve relativa estabilidade no mesmo período, gravitando na faixa de 500 a 580 mortes anuais.
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As exceções mais expressivas ocorreram durante o auge da pandemia de Covid-19, quando o município atingiu os picos de 665 óbitos em 2021 e 664 em 2022.
A diminuição no número de partos reflete a transição demográfica vivenciada por diversos municípios gaúchos, afetando a proporção entre nascimentos e mortes na comunidade local.
Número de nascimentos x óbitos
A análise histórica consultada pela equipe de jornalismo do Sul360 mostra como a margem entre nascimentos e mortes se encurtou ao longo dos anos. Em 2015, a relação era de 2,39 nascimentos para cada óbito registrado. Já em 2025, esse indicador caiu para 1,51.
Confira os dados completos levantados junto ao Registro Civil Nacional:
- 2026 (até o final de julho): 491 nascimentos e 322 óbitos (1,52 nascimentos por óbito).
- 2025: 885 nascimentos e 587 óbitos (1,51 nascimentos por óbito).
- 2024: 891 nascimentos e 568 óbitos (1,57 nascimentos por óbito).
- 2023: 915 nascimentos e 507 óbitos (1,80 nascimentos por óbito).
- 2022: 923 nascimentos e 664 óbitos (1,39 nascimentos por óbito).
- 2021: 827 nascimentos e 665 óbitos (1,24 nascimentos por óbito).
- 2020: 990 nascimentos e 463 óbitos (2,14 nascimentos por óbito).
- 2019: 1.093 nascimentos e 501 óbitos (2,18 nascimentos por óbito).
- 2018: 1.170 nascimentos e 507 óbitos (2,31 nascimentos por óbito).
- 2017: 1.161 nascimentos e 526 óbitos (2,21 nascimentos por óbito).
- 2016: 1.184 nascimentos e 589 óbitos (2,01 nascimentos por óbito).
- 2015: 1.286 nascimentos e 537 óbitos (2,39 nascimentos por óbito).
Retração em Camaquã acompanha tendência nacional
A queda no ritmo de nascimentos em Camaquã espelha o cenário observado em todo o território brasileiro. Entre 2018 e 2024, o Brasil registrou redução no total de partos por seis anos consecutivos, caindo de 2,95 milhões para menos de 2,5 milhões de registros anuais.
Em 2025, o Portal da Transparência do Registro Civil indicou uma leve reação com 2,51 milhões de nascimentos, o que representa um crescimento pontual de 2,3% em relação ao ano anterior.
Entretanto, especialistas alertam que essa modesta alta não deve ser interpretada como uma mudança de tendência de longo prazo.
De acordo com o demógrafo José Eustáquio Diniz, a população brasileira ainda cresce temporariamente devido ao grande contingente de mulheres em idade fértil, mas esse efeito perderá força em breve.
Segundo o especialista, a trajetória demográfica do país é muito clara. O número de nascimentos continuará caindo, enquanto o total de óbitos seguirá em elevação. Com isso, chegará o momento em que as mortes superarão os nascimentos em nível nacional.
Estimativas predominantemente aceitas por analistas apontam que a população total do Brasil começará a encolher por volta de 2042, embora algumas projeções indiquem que essa virada histórica possa acontecer já em 2039.







