Home / Justiça / STF começa a julgar investigação sobre suposta relação entre Moraes e Vorcaro

STF começa a julgar investigação sobre suposta relação entre Moraes e Vorcaro

STF

Compartilhe este conteúdo

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a analisar nesta terça-feira (15) se o ministro Alexandre de Moraes pode ser investigado por uma suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito das apurações da Operação Compliance Zero. A sessão está marcada para as 10h e será transmitida pela TV Justiça e pela internet.

A discussão chegou ao plenário após a Polícia Federal identificar, durante a análise do celular de Vorcaro, cerca de 50 mensagens trocadas com um número atribuído a Moraes. O conteúdo foi obtido após a quebra do sigilo do aparelho do ex-banqueiro.

📲 Confira um resumo das últimas notícias de Camaquã e região.

O caso Master envolve suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao antigo Banco Master e à tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), ligado ao Governo do Distrito Federal.

Como será o julgamento

O procedimento definido pelo presidente do STF e atual relator do caso, ministro Edson Fachin, prevê a abertura da sessão às 10h. Após a leitura da ata da sessão anterior e as saudações aos integrantes da Corte, Fachin apresentará o relatório do processo.

Na sequência, será concedida a palavra à Procuradoria-Geral da República (PGR). Depois da manifestação da Procuradoria, os ministros iniciarão a votação.

O STF ainda não confirmou se Alexandre de Moraes participará da sessão. A composição do plenário inclui Cristiano Zanin, Flávio Dino, Nunes Marques, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes.

Também não está confirmada a participação do ministro Dias Toffoli. Ele declarou-se impedido anteriormente de participar de julgamentos relacionados ao caso Master, após informações de que é proprietário de um resort adquirido por um fundo de investimentos ligado ao banco.

📲 Participe do nosso grupo de notícias no WhatsApp

O julgamento ainda poderá ser interrompido caso algum ministro apresente uma questão de ordem. Também existe a possibilidade de pedido de vista, o que suspenderia a análise.

Mensagens estão no centro da apuração

A controvérsia veio a público em 1º de setembro, quando André Mendonça, então relator do caso Master, retirou o sigilo de parte dos documentos e encaminhou as conversas para Fachin.

Segundo a investigação, Vorcaro teria trocado aproximadamente 50 mensagens com um número atribuído a Moraes antes de sua prisão, em 17 de novembro de 2025.

Moraes não é o relator do caso Master no STF. As informações divulgadas apontam que o contato com Vorcaro ocorreu em um contexto no qual o escritório Barci de Moraes, ligado à família do ministro, prestava serviços ao banco.

Em uma das conversas, datada de 15 de novembro de 2025, Vorcaro demonstrou preocupação com o avanço das investigações da Polícia Federal e mencionou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Na mensagem, o ex-banqueiro questionou se seria possível reverter a situação com os dois. Não há, contudo, indícios de que Gonet ou Rodrigues tenham interferido nas investigações.

No dia seguinte, Vorcaro mencionou o então juiz responsável pelas investigações na primeira instância, Ricardo Leite, e perguntou sobre a possibilidade de ser alvo de um mandado de prisão.

Em 17 de novembro, o ex-banqueiro foi preso por determinação de Leite. Meses depois, o caso foi encaminhado ao Supremo.

Moraes e Mendonça trocaram acusações

Após a divulgação das conversas e o encaminhamento do material a Fachin, Moraes incluiu Mendonça no inquérito das fake news e o acusou de direcionar a investigação contra ele por motivos políticos.

Posteriormente, Fachin desfez a inclusão de Mendonça no procedimento.

Moraes não se manifestou especificamente sobre o conteúdo das mensagens divulgadas entre ele e Vorcaro.

PGR questiona investigação conduzida por Mendonça

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também se manifestou durante a tramitação do caso. Embora seu nome apareça em uma das mensagens atribuídas a Vorcaro, Gonet defendeu a anulação do relatório da PF que identificou as conversas.

Segundo o procurador-geral, Mendonça teria aprofundado a investigação sobre o caso Master para examinar as conversas envolvendo Moraes sem autorização prévia do plenário do STF.

Na avaliação de Gonet, uma apuração envolvendo um ministro da Corte somente poderia avançar após autorização do plenário.

O julgamento desta terça-feira deverá definir os próximos passos da controvérsia e avaliar se há fundamento para a abertura de investigação envolvendo Alexandre de Moraes.

Autor

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você não pode copiar conteúdo desta página

Ver resumo das últimas notícias da região